Dilma ligou para a candidata verde ontem pela manhã e a parabenizou pelo desempenho no primeiro turno. Foi um primeiro aceno para trazer o apoio da ex-ministra, levando-se em conta que o PV não dará seu apoio. "O PV não integrou a base da nossa coligação", afirmou a petista. " E não está nas nossas possibilidades (esse apoio)", emendou. Dilma, no entanto, elogiou a sua adversária na primeira rodada de votação, sem cobrar o apoio. "Não significa que ela deva me apoiar. Eu respeito a Marina e acredito que temos mais possibilidades do que diferenças", afirmou.
A ligação para Marina foi uma das prioridades do primeiro dia pós-ressaca, depois que Dilma reuniu os coordenadores de campanha e ela e o presidente Lula concluíram a série de ligações para todos os governadores e senadores eleitos da base governista. A alguns aliados, Lula avisou que não se licenciará do cargo para se dedicar exclusivamente à campanha, o que aumenta a responsabilidade de todos.
Por volta das 8h30, Lula falou com o ex-ministro Tarso Genro, governador eleito do Rio Grande do Sul. "Não deixe nada desmobilizar no segundo turno", disse Lula a Tarso, classificado pelo comando da campanha de Dilma como o principal artilheiro petista da região Sul, onde José Serra obteve mais votos em termos proporcionais e ainda tem governadores eleitos ao seu lado: o de Santa Catarina, Raimundo Colombo (DEM), e o do Paraná, Beto Richa (PSDB).
Tarso considerou alguns fatores como principais responsáveis pelo segundo turno e, entre eles, citou o caso Erenice Guerra, sem mencionar o nome da ex-ministra. "Não há um dado que vincule a Dilma, mas tudo foi depositado nela", disse Tarso.
Do Nordeste, Eduardo Campos e Cid Gomes chegaram a Brasília dispostos a ampliar ainda mais a votação que Dilma obteve na região. Campos já começou logo cedo. "É preciso eleger Dilma para dar continuidade ao trabalho do melhor presidente para os pernambucanos", disse. Já o governador reeleito de Sergipe, Marcelo Déda, tratou quase que como uma obrigação a candidata verde apoiar Dilma. "AMarina participou do governo, ficou 30 anos no PT", lembrou Déda.