As declarações de Dilma Rousseff desautorizando especulações sobre um possível futuro governo não arrefeceram o apetite dos partidos aliados e nem ajudaram a conter os movimentos de bastidores em busca de cargos, antes mesmo de abertas as urnas. É que, com as pesquisas indicando a perspectiva de vitória ainda no primeiro turno, tudo ficou muito antecipado. E, se confirmados os pedidos de cada aliado, o PT corre o risco de terminar espremido entre as pretensões do PMDB e dos demais partidos da base governista. Os petistas têm dois nomes para o Ministério das Comunicações, os deputados Jorge Bittar, do Rio; e Valter Pinheiro, da Bahia, que concorre a um mandato de senador. No último comício de Dilma em Salvador, Pinheiro dedicou grande parte do discurso ao setor de telecomunicações, para muitos um sinal de que mira o cargo.
O PMDB, da sua parte, não deseja perder o terreno nessa seara, e também tem nomes, como o do deputado Eunício Oliveira (CE), outro concorrente ao Senado. Mas os peemedebistas aceitariam uma "troca", se ficassem com Cidades, Transportes e mantivessem a pasta da Saúde e Minas e Energia, onde estava o senador Édison Lobão (PMDB-MA), candidato à reeleição. O PT, entretanto, não abre mão de voltar a comandar o Ministério das Cidades, considerado uma mina de ouro e vitrine política. Por causa da Copa de 2014 e as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, a pasta criada por Lula - e que teve como primeiro ministro o petista gaúcho Olívio Dutra - receberá um orçamento reforçado. Mas o PP, partido do ministro Márcio Fortes, quer manter essa joia da coroa.
Nos bastidores, há um grupo petista em movimento para que o secretário-executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia, Luiz Antonio Elias, seja o futuro ministro no lugar do PSB. O problema, entretanto, é o próprio PSB que vê a pasta como um lugar ao sol para Ricardo Coutinho, candidato ao governo da Paraíba, hoje em desvantagem para o governador José Maranhão, do PMDB, que disputa a reeleição.
Aos aliados que não conseguirem se sair bem do processo eleitoral, a turma do Planalto e da campanha aconselha a não sonhar com muitos cargos de primeiro escalão. Para esses, estarão reservados os postos que não podem ser ocupados por parlamentares, caso das diretorias de agências reguladoras e estatais.