O mundo aproveitou o ano de 2010 para relembrar a música do compositor polonês Frédéric Chopin e do alemão Robert Alexander Schumann. Devido às comemorações pelo bicentenário de nascimento de ambos, a obra desses dois nomes que marcaram a música romântica tem ecoado e diversas partes do globo terrestre. A partir do próximo sábado, o Recife também entra no circuito das homenagens com o início do Festival Chopin/Schumann 200 anos.
 A curadoria fez questão de incluir jovens talentos no programa, como o pianista Antônio Nigro . Foto: Percio Campos/Divulgação |
"Homenagear esses dois é uma ideia universal, porque Chopin e Schumann são dois nomes que fazem parte da história da música, sobretudo quando o romantismo se consolidou como uma corrente forte na música", conta o pianista e professor de música da UFPE Edson Bandeira de Mello, que idealizou o projeto junto com a também pianista Elyannna Caldas. Com produção executiva da Paulo de Castro Produções, a proposta dos dois foi abraçada pelo patrocínio do Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) e apoio da Prefeitura do Recife e da UFPE.
Serão 14 dias de concertos com entradas gratuitas, distribuídas uma hora e meia antes de cada recital na bilheteria do Teatro de Santa Isabel, que abriga o festival do dia 31 de julho a 4 de agosto. Após uma pausa, o evento retomada sua segunda parte no Teatro da UFPE, entre os dias 12 e 22 de agosto, e volta ao Santa Isabel para o encerramento no dia 23. Durante esse intervalo de tempo, o público poderá conferir a uma seleção do que há de melhor na obra dos dois compositores.
Além do critério de importância, o pianista conta que a seleção de peças também passou pela afinidade dos músicos convidados com a obra. "A escolha foi em função das coisas mais importantes da obra desses compositores. Consultamos os músicos e levamos em conta o que eles gostariam de tocar. Em alguns casos, uma peça aparecia mais de uma vez e precisamos conversar para ver quem poderia fazer outra coisa", analisa Mello.
Músicos - Para executar as principais peças compostas por Chopin e Schumann, foram convocados alguns dos grandes nomes da música erudita pernambucana e de revelações promissoras do circuito local. "Tivemos a preocupação de abrir espaço para os mais novos, é importante que eles possam mostrar do que são capazes", aponta o pianista, que vai executar seis peças de Chopin e três de Schumann, incluindo Cenas infantis Op. 15.
Ao todo, o evento colocará no palco 28 solistas mais os 80 componentes da Orquestra Jovem do Conservatório Pernambucano de Música, que será regida pelo maestro convidado Lanfranco Marcelletti no encerramento. Como a obra de ambos é mais voltada para criações no piano, a maior parte do corpo de músicos é composta por pianistas, 17 no total. Entre eles estão Ana Lúcia Altino (Virtuosi), Antônio Nigro (professor de piano no Conservatório G. F. Händel na Alemanha) e Maria Clara Fernandes (que mora na Áustria para uma temporada de estudos na Escola Superior de Música de Viena).
Programa - A partir dessas definições, o programa foi montado tentando mesclar nas sessões as peculiaridades de cada artista. "Eles tinham personalidades diferentes e isso se reflete na música. Schumann não gostava muito dos costumes da sociedade, então sua música é mais profunda, difícil de ser assimilada. Enquanto a de Chopin é mais luminosa, mais palatável, voltado para o salão", compara Mello. "A programação ficou bem estruturada, não é muito fácil encontrar um programa tão equilibrado envolvendo as obras dos dois. Onde aparecia obras mais pesadas de Schumann, a gente mesclou com outras mais leves de Chopin", completa.