Brasília - Nos primeiros 15 dias da campanha eleitoral na Paraíba, os correligionários do senador Efraim Morais (DEM), candidato à reeleição, têm divulgado a notícia de que o parlamentar foi absolvido das acusações de ter contratado funcionárias fantasmas em seu gabinete no Congresso. A investigação, entretanto, está em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), como mostra a tramitação do Inquérito nº 2.987.
No processo, Efraim é investigado por estelionato, falsidade ideológica, crime contra o patrimônio e contra a fé pública. No dia 7 deste mês, Efraim entrou com uma petição prestando informações e uma manifestação contra o inquérito, encaminhado pela Polícia do Senado. Como o Judiciário está de recesso, o presidente em exercício do STF, ministro Ayres Britto, rejeitou o pedido de Efraim para que a petição fosse analisada em regime de urgência.
O inquérito que apura a participação do parlamentar na contratação de funcionários fantasmas está na Procuradoria-Geral da República (PGR), que o devolverá ao Supremo após dar parecer. A assessoria da PGR informou que o inquérito está em análise e que a tese de "absolvição" não existe, e só Supremo pode decidir arquivar o processo.
A investigação da Polícia do Senado que deu início ao inquérito contra Efraim teve início depois de denúncia registrada na 13ª Delegacia de Polícia (DP) de Sobradinho por duas estudantes que descobriram que suas identidades estavam sendo usadas de maneira irregular pelo gabinete do senador do DEM. Kelly Janaína Nascimento e Kelriany Nascimento estavam lotadas no Senado, mas não trabalhavam. Os salários das funcionárias fantasmas eram sacados por integrantes da família Bicalho, parentes do motorista de Efraim.
No parecer da Polícia Legislativa encaminhado à Corregedoria do Senado e ao STF, o responsável pelo inquérito, Everaldo Bosco, relata que há indícios da participação do senador no esquema de contratação de funcionários fantasmas.
Protesto - Ontem, Efraim Morais participou de uma caminhada contra a Lei da Ficha Limpa, em João Pessoa. A mobilização, coordenada pela coligação "Uma Nova Paraíba", levou às ruas aproximadamente 10 mil pessoas. Os manifestantes justificaram o protesto como uma forma de evitar que sejam inviabilizadas as candidaturas dos candidatos ao governo, Ricardo Coutinho (PSB), e a vice, Rômulo Gouveia (PSDB), assim como a do ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB), que concorre ao Senado. Os dois últimos correm o risco de ter o registro impugnado em decorrência da lei da Ficha Limpa.
Convicto da validade de sua candidatura, Efraim Morais minimizou pendências com a Justiça e previu que, ao lado de Cássio Cunha Lima, será o campeão na preferência popular. "Só vou me pronunciar após a conclusão do processo", afirmou, ao se referir às denúncias de contratações fantasmas. (Com informações de O Norte)