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Condecoração Francesa // Artista dos vitrais recebe honraria



Um dos cartões-postais da capital brasileira, a Catedral Metropolitana de Brasília passou por sua primeira grande reforma neste ano. A primeira parte da restauração, que custou mais de R$ 25 milhões, foi concluída com atraso - e celebrada com uma missa no dia 22 de abril, na comemoração do cinquentenário da capital. A segunda fase, de acabamento, deve ser concluída nos próximos meses. Aos 82 anos, a artista plástica Mariane Peretti acompanha de perto o trabalho de restauração dos vitrais da catedral, projetados por ela e executados por Emílio Zanon na década de 1950. Na restauração, o vitralista Luidi Nunes remontou as peças, refeitas pela inústria de vidros alemã Lambert, sob a supervisão de Peretti. "Como fui eu que fiz os vitrais, gosto de acompanhar como está sendo executado, principalmente no que se refere às cores", conta.

O trabalho na catedral de Brasília é o mais conhecido de Peretti, nascida em Paris em 1927, de mãe francesa e pai pernambucano. Ela começou a trabalhar com artes plásticas muito jovem, em Paris. "Vivia em um mundo de boêmios, artistas, e comecei a trabalhar nos ateliês", lembra. Radicada há anos em Olinda - Peretti não gosta de determinar datas - ela conheceu o arquiteto Oscar Niemeyer por meio de uma reportagem na televisão. "Eu estava em Paris quando vi na televisão um prédio que ele estava construindo em Milão. Três dias depois peguei um avião e fui lá ver", conta. Lá, ela encontrou o amigo e arquiteto Glauco Campos, que trabalhava com Niemeyer. "Três meses depois fui no Rio, encontrei Niemeyer e disse que queria trabalhar com ele. Mandei fotos de alguns trabalhos meus e ele me contratou", lembra.

Apesar de ter ganhado reconhecimento como vitralista, Peretti não se apaixonou pela arte à primeira vista. "Achava os vitrais muitos monótonos", diz. O interesse apareceu quando passou a explorar os limites da técnica tradicional. "Comecei a experimentar cores diferentes e transparências. Não trato o vitral como outros artistas tratam", explica. Com uma filha que mora em Paris, Peretti nãopensa em se aposentar. "Vou morrer trabalhando", diz. Nem tampouco em deixar a Cidade Alta de Olinda, onde mora e trabalha. "Olinda é uma cidade muito bonita, com possibilidades extraordinárias. A Cidade Alta poderia ser algo belíssimo, mas é muito maltratada. O governo não aproveita o seu potencial", lamenta.

Homenagem - No último sábado, Marianne Peretti foi agraciada com a mais alta condecoração honorífica da República Francesa, a insígnia de Cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra. Criada em 1902 por Napoleão Bonaparte, a Legião de Honra recompensa os méritos eminentes de militares ou civis à nação francesa. "Peretti é uma das poucas pessoas em Pernambuco a receber a medalha", disse o embaixador da França no Brasil, Sr. Yves Saint-Geours. "Somente pessoas que ajudam a promover a França e sua cultura são indicadas a receber a medalha", explicou, durante a cerimônia.


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Edição de terça-feira, 20 de julho de 2010 
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