Conceito e imagem
O conceito que se tem de um político é algo tão forte que, às vezes, nem mesmo um bom marketing pode garantir um resultado eleitoral satisfatório. E nesta eleição, os quatro principais candidatos ao Senado - Marco Maciel (DEM), Humberto Costa (PT), Armando Monteiro Neto (PTB) e Raul Jungmann (PPS) - carregam em suas imagens conceitos que devem pesar na escolha dos dois novos futuros representantes de Pernambuco no Congresso Nacional. Há pontos positivos e negativos. Conta a favor de Maciel, por exemplo, a boa imagem de um político ético que pode lhe garantir muitos votos mas em compensação o democrata carrega a pecha de direitista que o impede de penetrar nos chamados redutos de esquerda. No caso de Humberto, vitimizado pelo processo dos vampiros e cuja absolvição lhe garantiu a candidatura ao Senado, ele é entre todos os candidatos o que tem a imagem mais difusa, embora esteja liderando as pesquisas junto com Maciel. Mesmo tendo atuado em postos importantes na área da Saúde e na Secretaria das Cidades, Humberto hoje é só um petista e é nessa condição que vem tentando garantir sua eleição. Já Armando Neto ganha fôlego com as conquistas ao longo dos mandatos na presidência da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e no rastro das ações do Sistema S (Senai, Sesi, Senac e Sebrae). É visto como um candidato interessado no desenvolvimento econômico do estado e na qualificação do trabalhador, o que ele vem massificando bastante. O lado que pesa é que Armando Neto ainda tem sua imagem ligada aos usineiros o que, em Pernambuco, nunca foi uma boa credencial eleitoral. Talvez por isso, entre outros motivos, o governador Eduardo Campos (PSB) tenha colocado o ex-presidente da Fetape - Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco, José Rodrigues da Silva, para segundo suplente do petebista. Por fim, o mais midiático dos candidatos, Raul Jungmann (PPS), que conseguiu atrair as atenções com sua raquítica declaração de bens, tem a imagem boa de um parlamentar atuante em áreas onde predomina o voto de opinião, oque lhe dá um bom respaldo eleitoral. Tanto é assim que mesmo quando ainda não era candidato já obtinha 12% de intenção de votos nas pesquisas, como mostrou o Instituto Exatta há cerca de um mês. O problema é que isso é pouco para contrabalançar a "empáfia" que muitos lhe atribuem.
Estilo gerentão // Na corrida pelo quinto mandato de deputado federal, José Chaves (PTB-PE) decidiu, este ano, comandar bem de perto sua campanha eleitoral. Embora tenha mantido especialistas em cada área estratégica - financeiro, mobilização, marketing político e comunicação, - ele está envolvido diretamente nas tomadas de decisões. "O estilo gerentão ajuda a evitar surpresas desagradáveis ao longo da campanha", argumenta.
A cada dia // Continua se esgarçando o relacionamento entre o senador Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, e muitos integrantes da campanha de Jarbas Vasconcelos (PMDB) para governador. Campanha é assim. Dependendo dos interesses muitas alianças não resistem. E amizades também.
Blocos na rua // O deputado federal André de Paula (DEM) reúne correligionários, segunda-feira, no Boteqim da Hora para debater a campanha eleitoral, enquanto o ex-secretário estadual de Articulação Social Waldemar Borges, candidato a deputado estadual, inaugura seu comitê eleitoral na quinta feira, na Rua João Costa, no Torreão.
Um luxo // É com ginástica laboral duas vezes ao dia, lá dentro do Palácio das Princesas, que funcionários do governo que estão operando no Gabinete de Crise monitorando as ações nas cidades destruídas pelas chuvas, resistem ao excesso de trabalho e ao cansaço.
Dureza // Na sexta-feira, o governador Eduardo Campos (PSB) teve de ir a Brasília para liberar recursos para os municípios destruídos pelas enchente, isso depois de telefonar duas vezes para o Ministério da Integração Nacional. Se isso acontece com Eduardo que tem prestígio no governo Lula, imagine o que não ocorre com outros govenantes.
Nunca antes // A campanha começou, mas o esquente será dado com a TV e rádio, em 17 de agosto. Serão 45 dias de propaganda e Antonio Lavareda (MCI) aponta uma singularidade nesta largada que mostra o quanto a disputa será dura. "Pela primeira vez na nossa história se configura empate entre dois candidatos no início de uma campanha nacional". Dilma e Serra, com 39% (Ibope) e Marina com 10%.
Escola // O presidente Lula deve mesmo passar a campanha rindo à toa. Não bastasse a força que o candidato José Serra (PSDB) tem feito para convencer o eleitorado que vai manter e ampliar o Bolsa Família, a presidenciável Marina Silva (PV) começa a afirmar que, se for eleita governante do país, trabalhará pelos mais pobres.
Um horrror // Deputados federais tucanos criticam o governo do PT que conseguiu desmontar os Correios, comandado por Carlos Henrique Custódio, ligado ao PMDB. É verdade. A ECT já teve dias de glória, com a credibilidade lá em cima, mas hoje é coisa rara receber correspondência e boletos de contas sem atrasos.