Viena (EFE) - A internet abriu novas portas à fraude por roubo de identidade e à pornografia infantil, que aumentaram devido às facilidades oferecidas pela rede. Sob o termo de "cibercrime", o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) incluiu uma ampla gama de atividades ilícitas e alerta que algumas podem chegar a ameaçar a segurança das nações.
"Redes de eletricidade, tráfego aéreo e usinas nucleares já foram penetradas" por criminosos, lembra a UNODC em seu relatório intitulado A Globalização do Crime: uma avaliação da ameaça do crime organizado além das fronteiras.
O documento se concentra em duas atividades: o roubo da identidade eletrônica e a pornografia infantil. O primeiro caso se transformou na forma mais comum de fraude contra o consumidor na internet, especialmente com o uso de informações de cartões de crédito.
Segundo o estudo, este tipo de crime gera no mundo cerca de US$ 1 bilhão ao ano, com aproximadamente 1,5 milhão de vítimas. Além disso, a ONU alerta que esta atividade podecausar "efeitos depressivos na economia", elevar os custos do crédito e reduzir a confiança no comércio eletrônico.
A rede de computadores também tem características especialmente atrativas para os criadores, distribuidores e consumidores de pornografia em geral e, especialmente, a infantil.
"Há pouco tempo, a produção e aquisição de pornografia infantil eram atividades de alto risco", destaca a ONU.
O desenvolvimento da internet facilitou a difusão da pornografia infantil e sua crescente acessibilidade facilita também uma maior procura, com o conseguinte aumento da rentabilidade deste negócio ilícito, o que por sua vez atrai grupos de criminosos maiores e melhor organizados.
Assim, este fenômeno, apesar de a ONU considerar que ainda não gera tanto dinheiro como outros crimes, ameaça prejudicar um número crescente de vítimas, um risco que considera "particularmente grave em países em desenvolvimento".
Segundo o relatório, a pornografia infantil gera para os criminosos aproximadamente US$ 250 milhões, com cerca de 50 mil novas imagens publicadas todos os anos na rede.
Mas a ONU ressalta que, "claramente, a pornografia infantil não é um crime que possa ser reduzido a um valor em dólares", pois seu principal prejuízo está nos danos sofridos pelas crianças.
Os brasileiros junto com os italianos e espanhóis são os internautas que passam mais tempo conectados às redes sociais e aos blogs, segundo a empresa especializada em internet Nielsen. O estudo reflete um aumento de 24% nas visitas às redes sociais durante o último ano e afirma que a expansão e a presença das redes sociais e blogs é uma tendência irreversível. Pela primeira vez, os internautas dedicam às redes sociais uma de cada quatro horas que passam conectados a internet, 66% mais que um ano atrás.