Antes de ser convidado para participar do projeto Novo Livro, o escritor e jornalista Samarone Lima estava preocupado com a boa repercussão do seu último livro Viagem ao crepúsculo. Publicado em agosto do ano passado, o título teve sua primeira edição logo esgotada. Três meses depois do lançamento, uma nova remessa foi providenciada e já está perto de acabar. O fato de ter vendido 2 mil exemplares, que seria motivo de orgulho para a maioria dos escritores nacionais, porém, estava aperreando o sono do autor. Isso porque a editora Casa das Musas não possuía uma estrutura de divulgação e esse trabalho acabava recaindo nas costas do escritor.
"Eu tinha muito trabalho com isso, não aguentava mais ser autor, fazer a divulgação e ficar levando livro para cima e para baixo. Chega uma hora que cansa, eu já estava virando uma mula dos livros", lembra Samarone, que já perdeu as contas de quantas vezes precisou ir aos Correios enviar livros encomendados e reabastecer o estoque da Livraria Cultura. "Para o livro impressochegar nas mãos do leitor tem que empacotar, mandar pelo correio e vai levar dias. No digital isso vira questão de minutos", compara.
O escritor, no entanto, reconhece que não via lá com bons olhos essa história de e-book. A mudança de opinião só veio depois de carregar muitos pacotes de livro e de conhecer como funciona o e-reader Kindle. Gostou tanto que planeja lançar os seus outros três títulos no formato digital - Zé, Clamor e a coletânea de crônicas Estuário. "É uma burrice ficar brigando com uma ferramenta que vai facilitar sua vida. Qualquer pessoa que escreve quer ser lido. Com a versão digital, o livro pode ser lido em Portugal, na Espanha e até em Cuba", observa Samarone.
Nem mesmo o preço reduzido assusta o escritor. "Não tenho a menor ilusão que o autor ganha dinheiro com a venda dos livros. Ele ganha é com cachê para participar de festivais", analisa. Segundo Samarone, a versão digital de Viagem ao crepúsculo vai ganhar fotos tiradas durante sua temporada em Cuba e um posfácio com novas informações sobre a ilha de Fidel Castro. "Tem muita coisa que aconteceu depois, vou acrescentar tudo o que vivi entre 2007 e 2008. Pelo que venho observando, tudo em Cuba parece pior", adianta.