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Entrevista // Nathália Just



"A gente já esperava por isso. Mas julgamento foi legítimo"

Nathália Just, 25 anos, viajaria este final de semana de volta a São Paulo, onde mora há três anos. Mas disse que não tem prazo para retornar."Ainda não sei quando volto", disse. Determinada a ver a condenação definitiva de José Ramos, ela reagiu à decisão de Gil Teobaldo de entrar com recurso contra o julgamento com tranquilidade. "Estou confiante que nada mudará", declarou. Para ela, o julgamento, transcorrido entre a manhã da última terça-feira e madrugada da quarta, foi "legítimo" e não tem falha legal que possa depor a favor de uma anulação ou redução de pena, hipóteses que podem ser requeridas em recurso pela defesa de José Ramos.

Gil Teobaldo disse que vai recorrer em segunda instância.

A gente já esperava por isso, não tinha dúvida. Eles sempre usaram brechas na Justiça nesses 21 anos. Faço questão de saber, agora, de onde vai vir o novo argumento. Fomos ao TJPE segunda-feira passada pedir aos desembargadores que, diante de uma situação de tamanha vergonha, eles fizessem a diferença. Mas não para pedir apenas em relação ao nosso caso.

Mesmo sob a ameaça de um recurso, você acredita que será mantida a decisão da juíza Maria Inês?

Estou confiante. O julgamento foi legítimo, estritamente legal. A própria defensoria exerceu a defesa dele (José Ramos). Eles tiveram advogados particulares a vida inteira. E, no dia do julgamento, estavam sem ninguém. Utilizaram a instituição pública como manobra para a defesa. Isso é vergonhoso. Eles sempre desviaram do debate e quiseram contestar os procedimentos administrativos. Nem sei qual o argumento que ele vai usar, isso é problema dele, o filho dele está foragido. Não vai ser a primeira vez se fizerem.

Vocês pretendem pedir à OAB para agilizar o processo disciplinar contra o advogado Gil Teobaldo, indiciado por cometer um crime difamante no exercício da advocacia?

Não. Nesses 21 anos, o caso esteve na Justiça, e agora, mais do que nunca, a sociedade tem nos apoiado demais. A OAB já se pronunciou sobre isso e vou deixar as coisas se encaminharem por si mesmas. Eles é que vão tomar as medidas, nossa parte no júri já foi feita. Mas a minha opinião é que Gil Teobaldo não tem credibilidade para advogar pelo filho.


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Edição de sexta-feira, 4 de junho de 2010 
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