Ensaio sobre a corrupção
Marcelo Alcoforado // Publicitário
aproposito@speedmais.com.brComo reclamar, se somos um povo que saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas, que estaciona nas calçadas, e muitas vezes sob placas proibitivas, que procura subornar quando comete infração, que troca voto por qualquer coisa, que fala ao celular enquanto dirige, que trafega pelo acostamento para fugir do trânsito congestionado, e que para em filas duplas e triplas?
Como reclamar, se violamos a lei do silêncio, se dirigimos após consumir bebida alcoólica, se furamos filas, se apresentamos atestados médicos de falsas doenças, se fazemos ligações clandestinas de luz, de água e até de televisão a cabo. Se registramos imóveis por valor abaixo do comprado, só para pagar menos impostos.
Insista-se: como reclamar, se somos um povo que compra recibos para abatimento no imposto de renda, que diz ter outra cor da pele para entrar na universidade através do sistema de cotas, que quando viaja a serviço pela empresa pede nota de R$ 20,00 após pagarum almoço de R$ 10,00, e que comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes?
Repita-se: como pode reclamar um povo que adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como pouco rodado, que compra produtos falsificados com plena consciência de que assim o são, que substitui o catalisador do carro por um só que tem a aparência, que diminui uma idade do filho para que este passe por baixo da catraca do ônibus sem pagar passagem, que emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA, que frequenta jogos de azar, que leva das empresas onde trabalha clipes, envelopes, canetas e lápis, e que comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha?
Como pode reclamar, um povo que ao voltar do exterior não diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem, e que ao encontrar algum objeto perdido raramente o devolve? Pois é. Pensando bem, não há como se escandalizar com a desonestidade dos políticos, com a orgia das passagens aéreas e dos cartões corporativos, com a empulhação dos governantes ou com a licenciosidade de um funcionário subalterno, em dia de jactância.Ele é só um elo insignificante da corrente de corrupção que subjuga a vida nacional. É só um arremedo da grande sem-vergonhice que assola o país. O que não o faz menos corrupto.
UNE e UEP: "chapa-branca"Pedro César Josephi // Vice-presidente do Diretório Acadêmico de Direito da Unicap
pedrojosephi@hotmail.comAo contrário do que foi a sua história de luta, de protestos e atividades reivindicatórias, o ato dentro da programação da "Jornada de Lutas" da UNE no final de março demonstra um fenômeno comum nos movimentos sociais, que é a cooptação feita pelo governo (tanto estadual, quando federal) sobre estes, colocando-os sob alinhamento automático, direcionando suas pautas e silenciando qualquer movimentação de crítica a ele, em um processo de partidarização das entidades antes autônomas e independentes.
O Diretório Acadêmico Fernando Santa Cruz (Dafesc), representante dos estudantes de direito da Universidade Católica de Pernambuco, se coloca contrário a esta politicagem, que a UNE e UEP, atualmente, praticam, ao tornar suas atividades mero palanque eleitoral para o atual governo.
É bastante vergonhoso e lamentável ver entidades como a UNE e a UEP aliando-se incondicionalmente com o governo, ao preço de repasses de verbas e de interesses partidários (e eleitorais), destituindo-se de todo senso crítico e revolucionário, que marcou a criação e as atividades passadas da UNE e da UEP.
Melancólica, a situação destas entidades, que ao invés de estarem ao lado dos profissionais de educação do estado de Pernambuco, na luta pela garantia do piso e por condições dignas de trabalho, ao invés de estarem ao lado dos policiais militares, que lutam por uma remuneração decente, se acovardam, mediante decisões verticais e interesses partidários, e ficam ao lado dos que não querem garantir educação e segurança para o povo.
Nós, enquanto estudantes de direito, não podemos silenciar, também, diante da precária situação da Defensoria Pública do estado. Infelizmente, segundo o Ministério da Justiça, Pernambuco tem a pior defensoria pública do país, sendo o pior salário e o menor investimento per capita do Brasil. Tal situação, oriunda do governo passado e mantida pelo governo atual, exclui a maioria da população pernambucana do acesso à justiça e a uma defesa digna. Não por acaso, o nosso estado possui o poder judiciário mais lento do Brasil, segundo o CNJ.
Como podem a UNE e a UEP, fecharem os olhos para este cenário calamitante? Enquanto os professores lutavam pela valorização profissional, pelo cumprimento à Lei 11.738/2008, pela garantia do piso salarial nacional dos profissonais do magistério, a UNE e UEP batiam palmas para um governo que pisa no piso, e que deu as costas para a educação, preferindo reajustar salários dos fazendários. Nos atuais moldes, um fazendário equivale a 19 professores. Isto demonstra a prioridade deste estado (que nem de longe é socialista), que prefere a arrecadação de impostos em detrimento de uma educação excelente para todos. Infelizmente, nós, do grupo M.U.D.A (autônomo, livre e independente), atual gestão do Dafesc, não nos espantamos mais com este abandono do espírito crítico que sempre marcou estas entidades estudantis, como a UNE e a UEP. O que nos chama atenção é que em governos passados, dianteda mesma penúria na educação, da mesma luta dos professores, o discurso destas entidades era outro, era de apoio, era de questionamento. E hoje, por que não mais?
Os nossos louváveis e inesquecíveis "caras pintadas", tiveram seus lugares tomados por lamentáveis "chapas-brancas". No entanto, nem tudo está perdido. Existe uma juventude, que não se sente representada por estas entidades e que vem resgatando a independência, a autonomia e a liberdade para o movimento estudantil, assim é o M.U.D.A - Movimento Universitário para Desenvolvimento Acadêmico, atual gestão do Dafesc.
Cidades japonesas não usam lixeirasGilberto Costa Ribeiro // Psicólogo
gilberto.costaribeiro@gmail.comSim, a notícia é essa mesma: em muitas cidades japonesas não existem lixeiras públicas. O leitor poderá perguntar: onde as pessoas jogam o lixo, o copo descartável, o anúncio que não se deseja ler, o plástico de alguma embalagem aberta pelo caminho? A resposta é surpreendente para os nossos padrões: os japoneses levam o lixo para casa! Em casa ou no escritório, o lixo é separado por itens e só então destinado ao serviço público de coleta, o equivalente às nossas prefeituras.
Como resultado dessa prática, as cidades são limpas, não se notam lixeiras e também não há lixo pelo chão. Isso é um dos indicativos do padrão de organização e nível educacional do povo japonês moderno. Enquanto isso... Infelizmente, as ruas da nossa cidade estão cheias de lixo e ainda há pessoas que, além de não utilizar, destroem as lixeiras.
Para chegar a um padrão próximo dos japoneses, a nossa sociedade precisa melhorar, e muito, os sistemas de valores, de educaçãoe de organização, incluindo o respeito aos bens públicos (cidades, praças, ruas, edifícios) e especialmente respeitar o direito do outro e se lembrar que, além de direitos, todos nós também temos deveres.
Essa mudança deve partir dos governantes, mas a sociedade não pode esperar que o poder público resolva tudo. A imprensa, as escolas, as universidades, as igrejas, os sindicatos, as associações de bairro e os condomínios podem tomar a iniciativa. Abrir e manter campanhas organizadas e firmes lembrando que o lixo jogado nas ruas volta para as casas sob a forma de baratas, ratos, inundações, lama e também doenças.
As campanhas atuais são tímidas e sem grande efeito prático porque são desarticuladas e não observam os fatores emocionais e econômicos, aqueles que atingem o coração e o bolso das pessoas. Desarticulados porque ora se dirigem a públicos restritos, como os frequentadores de praias ou moradores de morros, ou não se orientam a público nenhum, como os slogans nos caminhões coletores.
O Brasil dispõe de empresas e instituições com grande experiência em publicidade e marketing e que não são mobilizadas para esse serviço social, agora percebido como necessário e inadiável, uma vez que o cenário é bastante desalentador. O centro da nossa cidade e os bairros estão imundos, entulhados de lixo.
Como dito acima, a campanha deve ser da sociedade como um todo, pois o que se precisa é de uma mudança de valores que tenha resultantes na cultura geral. Por isso deve começar na família e envolver da escola aos sindicatos. Para lembrar, destacar e reforçar a responsabilidade de cada um e da coletividade nesse esforço pela higiene, limpeza e saúde pública.
Esse esforço poderá despertar a consciência para a segunda fase, que é reciclagem e o reaproveitamento da matéria prima, atualmente, só existente para as latinhas de alumínio. Mas pode-se e deve-se ir além, com os plásticos, as baterias de celulares e câmeras fotográficas, os papéis, os pneus e muito mais. Afinal, o planeta, o país e a cidade são as nossas casas. E é a casa, o lar onde precisa começar a mudança de valores, o respeito aos direitos do outro e o cumprimento dos próprios deveres.
Quem sabe assim, campanhas contínuas e articuladas, não cheguem a sensibilizar os próprios governantes? Porque governar vai além de construir ruas, será preciso cuidar delas, das antigas e das novas.
A conspiração islâmica, Lula e o ItamaratyPedro de Albuquerque // Escritor
http://pedrodealbuquerque.wordpress.comCada vez mais assente as teorias políticas sustentadas por Bernard Lewis, Samuel Huntington e Laurent Murawiec quanto a uma conspiração islâmica e a um inevitável choque de civilizações. Hoje, se lhes opor serem falsas e urdidas para embasar ideologicamente a supremacia dos Estados Unidos da América do Norte; mais do que ingenuidade, é cinismo explícito.
A corrida armamentista da Venezuela, o seu alinhamento ao Irã e a legalização do Hizbolah como movimento político pelo coronel Chávez. A Bolívia de pires na mão a candidatar-se a entreposto de urânio para o Irã. A massiva presença de imigrantes muçulmanos na tríplice fronteira: Brasil, Argentina e Paraguai. Onde se sabe da robustez do tráfico de armas e de drogas, ligado ao esquema de lavagem de dinheiro e de evasão de divisas em favor do Hamas, da Al Qaeda e da Jihad Islâmica.
Já na Europa, quando da minha última estada, trinta dias, tempo bastante para bem observar as coisas. Notadamente se não for gasto no consumismo desvairado, fiquei estarrecido com a agressiva presença muçulmana nos principais centros por mim visitados: Paris, Londres, Bruxelas e Amsterdã. Na Holanda, país que percorri de trem, fiquei boquiaberto com o sem número de mesquitas espalhadas por todo o seu interior e, até mesmo, em pequenas cidades e aldeias campesinas. O Aeroporto do Schiphol, Amsterdã, já é um pesadelo: verdadeira Medina com as mulheres e homens muçulmanos em seus trajes típicos e sem poupar o véu; por si mesmos segregados na expressão dos quistos sociais que constituem.
No sul da França, conhecido por haver sido de identidade católica romana, já se conta mais mesquitas do que igrejas. Nas cidades maiores, como Nice e Marselha, 45% da população é muçulmana. Há 52 milhões de muçulmanos na Europa e as estatísticas indicam que este número dobrará para 104 milhões nos próximos 19 anos. O segredo do sucesso da conspiração islâmica: a imigração e a catequese religiosa.
No Brasil, dados oficiais ressaltados pelo presidente Lula, em seu discurso no parlamento israelense, ao estabelecer superioridade numérica para justificar a sua opção político-ideológica em favor do Hamas, dão conta da presença de 10 milhões de muçulmanos. Estou a falar de muçulmanos, não de árabes, como maquiado pelo Itamaraty no discurso do presidente Lula. Aliás, os países da Liga Árabe enfrentam e resistem ao expansionismo do Irã, que não é país árabe, em nome da Revolução Islâmica pelo domínio da região. A tensão entre o Egito e o Irã é permanente.
Dia desses o Irã, através de um seu porta voz, o secretário geral do Hizbolah, Hassan Nasrallah, reagiu violentamente à condenação de 26 membros da célula egípcia da organização terrorista. Assim, a Ditadura Teocrática no domínio do Irã, através das organizações criminosas por si patrocinadas, desestabiliza a região e obstrui o processo de paz para o Oriente Médio; enquanto mantém manobras militares permanentes. O Irã persegue uma hegemonia absoluta e, para tanto, há de obter, a qualquer custo, a tecnologia nuclear.
Mas o Itamaraty, ideologicamente dominado por uma esquerda sessentista, empurra o Brasil numa equivocada política de resultados e na contramão da história. Pior, em direta subversão do desiderato constitucional. Aliás, das peripécias diplomáticas do presidente Lula no Oriente Médio resultou o pedido do presidente do Líbano para o Brasil receber 400 mil refugiados palestinos: gente do Hizbolah, que nem mesmo o presidente da Autoridade Nacional Palestina quer na Cisjordânia. Ora, se a visita do presidente Lula a Israel e à Cisjordânia foi um fiasco, esta sua visita ao Irã foi, mesmo, um desastre: a humilhação da brasilidade. Pior, no exato momento do acirramento das tensões entre a Ditadura Teocrática do Irã, a Liga Árabe e os países componentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas.