No que depender do Ministério de Minas e Energia, Furnas não será punida pelo apagão de novembro passado, que deixou 18 estados brasileiros no escuro por até 14 horas.
 O apagão que atingiu 18 estados em novembro do ano passado teria sido provocado por raios de baixa intensidade. Foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press - 11/11/09 |
O ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, revelou ao Correio/Diario que o relatório final do órgão acaba de ficar pronto, com a seguinte conclusão: o blecaute foi consequência de problemas de blindagem não previstos no projeto original da subestação de Itaberá (SP) para suportar a incidência de raios de pequena intensidade, e não de falhas de manutenção nas linhas de transmissão a partir de Itaipu. "Não é questão de erro. A manutenção da instalação estava em dia. O que havia era a necessidade de alteração das condições do projeto. Foi o diagnóstico que o grupo fez com o Cepel", afirmou Zimmermann.
A análise dos índices pluviométricos na região, explicou o ministro, não constatou alterações. Porém, a concentração de chuvas em determinados horários, aliada ao acúmulo de vento, deixou a subestaçãosem proteção para descargas elétricas de menor grau, que não estavam previstas no projeto original, com blindagem apenas para raios de forte intensidade. "Quando era uma descarga, um raio forte, a subestação protegia. Quando eram raios pequenininhos, esses que a gente acha que não (interfere), iam direto e ninguém via. Viu-se que a blindagem da subestação de Itaberá, apesar de estar dentro das normas, era diferente das outras: Tijuco Preto, Ivaiporã e Foz", detalhou Zimmermann. Foi essa a razão, segundo ele, que desencadeou a discussão com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre as causas do apagão.
Na época do blecaute, o Inpe divulgou relatório negando a ocorrência de fortes raios na região de Itaberá. Como pelo documento do ministério, que será apresentado para aprovação do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) no mês que vem, a causa foram descargas de pouca intensidade contra os quais a subestação não tinha blindagem, Zimmermann defende que Furnas não deve ser punida. "Nessecaso, não tem porque autuar porque a instalação está dentro das condições do projeto."
Há dois meses, relatório da equipe de fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apontou sérias falhas nas linhas de transmissão de Furnas em Itaberá e Tijuco Preto e condenou a estatal ao pagamento de multa no valor de R$ 53,7 milhões - a maior já aplicada pela agência por um auto de infração isolado. O montante só é inferior à condenação de R$ 84,6 milhões imposta à Petrobras por descumprimento de um acordo para fornecimento de gás. Zimmermann fez questão de dizer que não existe "conflito nem disputa de relatórios" entre ministério e Aneel, que também integra o CMSE. "Um fiscal da Aneel soltou aquele relatório. Foi a superintendência que aplicou a multa. Furnas recorreu à diretoria, que não se manifestou até agora", disse.