Mark Twain e a arte de fazer rir... com arte
Heldio Villar // Engenheiro e professor
heldiovillar@hotmail.comO próximo 21 de abril irá marcar para os brasileiros os 25 anos da morte de Tancredo Neves. E, é claro, há dois séculos a data é lembrada pela morte de Tiradentes. Para os amantes da literatura, a data irá marcar também os 100 anos do desaparecimento do escritor e humorista norte-americano Mark Twain.
Nascido Samuel Langhorne Clemens no Missouri em 30 de novembro de 1835, ele começou a trabalhar aos 12 anos como aprendiz de gráfico, vindo a publicar seus primeiros artigos. Uma viagem a New Orleans, anos mais tarde, o inspirou a ser piloto das famosas barcaças do Mississippi. Para receber a licença, Samuel passou dois anos estudando em detalhes o rio. Ele conseguiu o emprego em 1859 - e um profundo conhecimento do Mississippi que utilizaria mais tarde em vários de seus trabalhos literários.
A Guerra da Secessão interrompeu a navegação comercial no Mississippi em 1861, de forma que Samuel foi viver com seu irmão, que tinha um emprego público noque era então o Território de Nevada. Ele fez aí inúmeras viagens, que lhe forneceram mais material para escrever. Tendo fracassado como minerador, arranjou emprego num jornal de Nevada, retomando a publicação de artigos. Um desses, de 1863 - no qual seu talento como humorista já se mostrava - ele resolveu assinar como "Mark Twain". O termo era usado para indicar uma profundidade de duas braças (um pouco mais de 3,60 metros), o mínimo considerado seguro para se navegar. ("Twain" é uma forma arcaica de "two").
Dois anos mais tarde, já vivendo na California, Mark Twain teve seu primeiro sucesso: o conto humorístico A célebre rã saltadora do Condado de Calaveras. Seguiram-se trabalhos que relatavam suas viagens e sua experiência no Mississippi, até que, em 1876, apareceu o primeiro livro pelo qual ele seria eternamente lembrado: As aventuras de Tom Sawyer, largamente baseado em episódios da sua infância. Nos anos seguintes surgiram O príncipe e o mendigo, A vida no Mississippi, Aventuras de Huckleberry Finn (o companheiro de travessuras de Tom Sawyer) e Um ianque na corte do Rei Arthur. Seus 28 livros e dezenas de contos, de fino humor, transformaram a literatura norte-americana, tiveram inúmeras adaptações e fizeram dele um dos mais populares e traduzidos autores de todos os tempos.
Mark Twain foi abolicionista, anti-imperialista e pacifista, além de apoiar fortemente a demanda das mulheres por maior participação na política. Suas frases espirituosas foram e ainda são admiradas e repetidas. "Os únicos produtos que entram neste país sem ser taxados são as respostas às nossas preces", é uma delas. "É imoral mentir, exceto para praticar", é outra. E que tal "ser invejado é a maior alegria do ser humano"? A política era um alvo predileto: "Nossos crimes são cometidos pelo elemento estrangeiro. A única classe criminosa nativa que temos é o Congresso". E também os políticos: "Vamos supor que você seja um idiota. E vamos supor que você seja um congressista. Mas aí eu estou sendo redundante". Até as mulheres tiveram seu quinhão: "As mulheres nunca ouvem uma sugestão bem embasada sem rebater; isto é, as casadas". "Após todos esses anos, reconheço que estive errado acerca de Eva; é melhor viver fora do Éden com ela do que dentro sem ela". E uma frase cada vez mais atual: "Frequentemente ficamos tristes diante de música sem palavras, e mais ainda diante de música sem música".
Mark Twain foi admirado pela nobreza, por políticos, artistas, empresários e, sobretudo, pelos milhões que o leram e amaram suas obras. Ele talvez tenha sido o primeiro grande escritor reconhecido como humorista, tendo elevado o humor ao nível de grande arte (outra de suas frases: "o humor é a maior benção da humanidade"). Curiosamente, um ano antes de morrer ele escreveu: "Eu vim ao mundo com o cometa Halley (...) e será uma decepção se eu não me for com ele. O Todo-Poderoso disse, sem dúvida: "Eis aí duas coisas singulares que chegaram juntas e têm de ir embora juntas'". E assim se fez.
"O Recife, sim, Recife, não"
José Napoleão T. de Oliveira // Desembargador aposentado
napoleaot@uol.com.brAs comemorações do centésimo décimo aniversário de nascimento de Gilberto Freyre começaram com a originalidade que era de esperar-se, a partir do bom gosto da edição e lançamento do livro Crônicas do cotidiano, reunião de textos esparsos do autor de Sobrados e mocambos, publicados em jornais e revistas, selecionados por conta da refinada sensibilidade de Carolina Leão e de Lydia Barros, contando com irretocável projeto gráfico de Christiano Mascaro e Erandi Moreira, e arte de Gregório Vieira (Greg), tudo cuidadosamente acontecido no Espaço Cultural da Fundação que perpetua o nome do aniversariante, no final da tarde de dia 15 de março, sem faltar a parceria do Diario de Pernambuco. Além dos textos das crônicas e das ilustrações fotográficas, o livro ao mesmo tempo chama a atenção e se distingue pelo tamanho físico: fita métrica à mão, dimensiona-se com 28x38 cm, e por suas 220 páginas vai se sucedendo, a cada crônica, a maestria do estilo do também jornalista Gilberto Freyre, permanente colaborador do "Diario", até depois da morte: no dia seguinte ao seu falecimento o último artigo já estava programado e foi editado no dia 18 de julho de 1987, guardando-se, assim, mais essa lembrança de quem, historicamente, durante 26 anos e um dia assinou a coluna "Opinião" no velho jornal, publicada aos domingos.
A proposta do livro é registrar "a vida cultural de Pernambuco nos artigos de Gilberto Freyre", desde a década de 1920 até a de 1980, e as ilustrações sugerem um "passeio" pela cidade do Recife, a partir da antiga ponte giratória no Cais de Santa Rita; da antiga sede do Diario de Pernambuco no bairro de Santo Antonio; "O Recife do 'bondinho', uma influência da cultura inglesa nas ruas da "cidade maurícia"; "os costumes da moda parisiense e influências europeias que dominaram a cultura pernambucana no florescer do século 20", em desfile nas imediações da Torre Malakoff"; vista panorâmica do bairro de São José, divisando-se a Basílica da Penha "cercada de sobrados e Igrejas"; velhos casarões e pontes, "heranças da ocupação holandesa..."; "Ruas estreitas e sobradas esguios" (ou as ruas magras, na preferência "gilbertiana"); execução de passos do "frevo", "ritmo que contagiou a capital pernambucana nas primeiras décadas do século 20, tornando-se símbolo cultural"; lembrança do "corso carnavalesco"; Ponte Buarque de Macedo, aquela eternizada por Augusto dos Anjos; lembrança do "Graf Zeppelin" sobrevoando a Torre do Diario de Pernambuco, em maio de 1930; "Igrejas majestosas", como a Matriz da Boa Vista; a Matriz de Santo Antonio; a do Livramento; notícia sobre a "Igreja dos Martírios", demolida para possibilitar a ampliação da Avenida Dantas Barreto; reprodução da "Capa de O Livro do Nordeste, editado por Freyre em homenagem aos 100 anos do Diario".
As crônicas reafirmam o homem, o intelectual, o cientista social, o político, e revelam o que o Recife significou para esse pernambucano que só uma vez, ainda criança, aos seis anos de idade, fugiu para Olinda, revelando-se nos títulos dos trabalhos selecionados: "Um café para o Recife", "Um paradoxo para o Recife", "Recife, cidade sem árvores", "Tradições da cozinha pernambucana", "José Lins do Rego e o Recife", "Um três de março perdido no tempo","Nomes tradicionais de ruas", "Seu Chico de Boa Viagem", "Clamando pelo Recife", "Em prol do Recife", "O Recife das décadas de 20, 30 e 40 como centro de renovação cultural", "Cores e odores do Recife" e, especialmente, "O Recife, sim, Recife, não", em que afirmou: "O Recife é o Recife. E não Recife. O recifense, o pernambucano, não diz Recife: diz o Recife." E concluiu: "A vigilância , aplicada até a aparentes pequenos nadas, impõe ao brasileiro e ao recifense ser fiel ao artigo que singulariza o país e que singulariza a cidade. Fiel e vigilante".
Dia da Independência: Yom Ha'atzmaut
Pedro de Albuquerque // Escritor
pedrodealbuquerque.wordpress.comNa semana que precede ao Yom Ha'atzmaut, celebra-se o Yom Ha'shoah em honra das vítimas do mais tétrico processo da história da humanidade; o qual veio a culminar no Holocausto nazista. É isto mesmo, se não pode admitir, a não ser por ideofrenia, a Inquisição Católica Romana e o Holocausto como processos distintos. Mas, tão somente como dois momentos de um mesmo processo. A Inquisição fundou a base ideológica e emprestou toda causa e método ao Holocausto. Não há distinção histórica possível entre um e outro, como processos. Portanto, exaltar o Holocausto e obnubilar a Inquisição é negar a verdade e, assim, obstruir a remissão histórica. Fazer da Inquisição "um não acontecido", no dizer do meu querido irmão e mestre Howard Sachar, é perpetuar-lhe as conseqüências para irreparável dano da humanidade. Especificamente da brasilidade.
A Inquisição não foi um processo que apenas perdurou por mais de 700 anos e se dissolveu, no seu ápice, com o Holocausto. A Inquisição é este mesmo processo que subsiste até os dias atuais, no incessante trabalho da supressão da memória histórica para impedir o resgate da identidade dos descendentes de judeus ibéricos. Dos mesmos sefarditas que, junto ao índio e ao negro, fez-se amálgama da brasilidade.
Pois, quase todo o contingente ibérico colonizador. A quem a Inquisição pejou de degredados criminosos comuns. Era de judeus ibéricos. Os cristãos-novos. Os muitos: Silva, Oliveira, Coutinho, Melo ou Mello, Bezerra, Pereira, Albuquerque, Campos, Rosa, Carvalho, Azevedo, Souza, Ximenes, Aragão, Costa, Menezes ou Meneses, Barros, Nunes, Ramalho, Cavalcanti (italianizados), Sampaio, Alencar, Peixoto, Saraiva, Fonseca, Araujo, Feitosa, Castro, Alves, Accioly (os mesmos Acciayolo de Florença), Holanda, Moura, Cunha, Andrade, Carneiro, Lins, Barreto, Cabral, Gonçalves e muitos outros fincados na natividade brasileira.
Os vínculos entre o Brasil, Israel e os Estados Unidos da América do Norte, é preciso que se afirme a verdade histórica, são umbilicais. As mesmas famílias de judeus ibéricos pioneiras, que aqui permaneceram para amalgamar a brasilidade, são as mesmas famílias que consolidaram o processo de formação política dos Estados Unidos; tomando parte ativa na Guerra e na Declaração da Independência. A citar o exemplo de Isaac Cardozo, ou Cardoso: um dos três ministros inaugurais da Suprema Corte. São, ainda, as mesmas famílias que participaram, efetiva, ativa e afirmativamente da "haganah sefardi", ou seja, da resistência sefardita que inaugurou os combates pela independência de Israel. Como da resistência argelina ao invasor nazista. Por mais quilômetros a separar os territórios: Israel não nos é uma nação distante, nem o judeu é estran"J"eiro no Brasil; como se busca impingir.
Mas, estes vínculos foram propositada e cuidadosamente omitidos da exposição de motivos da maledicente lei que instituiu o Dia Nacional da Imigração Judaica. Como do discurso do Pres. Lula em sua visita a Israel. Ora, o Pres. Lula não poderia açular, em ano eleitoral, os ânimos das suas bases ideológicas de sustentação; historicamente anti-judaicas, anti-Israel e anti-Estados Unidos da América do Norte. O que é mais do quê lamentável! Ao ceder à política ideológica partidária, em detrimento da política nacional, o próprio Pres. Lula despiu a carapuça de estadista e mostrou a cara do pelego populista que esconde. Daí o seu alinhamento à corrupta ditadura militar do Cel. Chávez. Daí a sua irresoluta defesa da criminosa tirania cubana. Daí o seu apego desmedido em defesa dos interesses da canalha Ditadura Teocrática do Irã. É chegado o momento de afirmar o Grito do Ipiranga; reeditado no Grito de Varsóvia em 19 de abril de 1943: independência ou morte! Fora Chávez! Fora Fidel! Fora Ahmadinejad! Am Israel chai! No meu blog é pau, tem mais. Tem muito mais; mesmo!
Por que a Medicina Ortomolecular?
Diana Campos // Médica Clínica
dmtcampos@ig.com.brAs enzimas, partes constituintes das células, são as principais responsáveis pelo processo de reparação celular. São elas que controlam os radicais livres formados dentro do corpo e que são responsáveis pela gênese ou agravamento de várias doenças. No corpo humano existem diversos tipos de enzimas que funcionam na presença de nutrientes (exemplos: cobre, zinco, manganês, vitaminas e aminoácidos). Alguns deles são produzidos pelo corpo (endógenos) e outros precisam ser ingeridos pelo indivíduo (exógenos). No imbalanço de nutrientes e na presença de elementos tóxicos adquiridos por exposição ocupacional ou alimentar (mercúrio, chumbo, pesticidas, toxinas), isso leva ao mau funcionamento das enzimas, o que pode conduzir a uma série de complicações clínicas.
O campo da ciência que se dedica ao estudo e ao tratamento desses processos é a Medicina Ortomolecular. O diagnóstico do estado físico e mental de um paciente é feito por meio de exames laboratoriais (que incluem, entre outros, as dosagens de vitaminas, minerais, exame de fezes - pesquisa de parasitas-, cultura de fungo, digestibilidade fecal), exame físico, e de um questionário nutricional. Em alguns casos, quando há suspeita de contaminação por metais pesados e de um desequilíbrio dos minerais, é realizado um mineralograma. Esse exame, que acontece através da análise do tecido capilar, é realizado na PUC - Rio de Janeiro e fornece uma lista com a quantidade dos elementos essenciais e tóxicos presentes no corpo.
Uma alimentação adequada, o que geralmente não ocorre nem em países industrializados, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), nem sempre é suficiente para suprir as necessidades do corpo. A deficiência dos elementos essenciais deve ser identificada e pode haver necessidade de substâncias exógenas que não são produzidas pelo indivíduo (ex: suplementação de vitaminas, minerais e aminoácidos para cada paciente). A presença de metais tóxicos não é eliminada por uma ingestão adequada de alimentos. Eles são excretados por processos de quelação, que pode ser conseguida através da homeopatia e reequilibrando os minerais essenciais, ficando o uso de medicamentos para os casos graves.
Desde a sua criação, em 1954, pelo químico Linus Pauling, duas vezes Prêmio Nobel, esse ramo da Medicina evoluiu bastante em todo mundo. Hoje podem ser encontradas na WEB cerca de cem mil publicações sobre a Medicina Ortomolecular apontando esse ramo da ciência como uma poderosa ferramenta no diagnóstico, prevenção e no tratamento de uma infinidade de moléstias. A Ortomolecular objetiva preservar o bem-estar e o tratamento de doenças, balanceando as concentrações das substâncias que normalmente estão presentes no corpo. Na ausência desse equilíbrio, várias patologias que poderiam ser evitadas podem surgir no corpo. Como exemplo, o entupimento de artérias decorrente da presença indesejável de radicais livres que pode resultar em acidente vascular cerebral ou doenças coronárias.