A nova lógica gerada pelo barateamento dos equipamentos digitais e pelas facilidades de difusão de conteúdo da internet vem sendo experimentada por alguns grupos locais. Na tentativa de ampliar seu público e desenvolver um novo canal de diálogo, bandas como a Volver e a Ex-Exus têm mostrado criatividade na hora de usar as possibilidades e ferramentas do mundo virtual.
Antes mesmo de partir para o setor audiovisual, a Volver já demonstrava afinidade com os recursos da web, disponibilizando para download todas as faixas do álbum Acima da Chuva. Depois, o grupo aproveitou o show de lançamento desse mesmo disco, no Teatro de Santa Isabel, e convocou o público para registrar imagens da apresentação que seriam utilizadas na edição do primeiro DVD da banda."Foi bem bacana, o pessoal conseguiu imagens bem interessantes com câmeras fotográficas e de celular mesmo", atesta o vocalista da Volver, Bruno Souto.
Outra experiência interativa do grupo ocorreu durante o Abril Pro Rock do ano passado. Num estande do ChevroletHall, a banda montou um cenário especial para a gravação do clipe Não sei dançar, que deve ser lançado neste semestre, e convidou os fãs para fazerem uma performance diante das câmeras. "É portfolio, agrega valor à estética da banda. Quando entro em contato com um produtor já mandamos o link do último clipe e do MySpace", explica Souto.
Mas se a linguagem audiovisual é usada pela Volver em função da música, não se pode dizer o mesmo em relação aos Ex-Exus e ao coletivo Media Sana, onde fica difícil distinguir quais são seus campos de atuação. A Ex-Exus vem alimentando seu MySpace e blog (exexus.blogspot.com) com vídeos de entrevistas, que os próprios integrantes fazem com outros artistas, registros de performances dos membros da banda e mesmo comerciais para divulgar as apresentações do grupo.
"Abrimos um leque de experimentação da linguagem, que já vai além da música, esses vídeos são outras histórias. O bom é que as pessoas assistem a um vídeo e vão atrás dos outros", explica o vocalista e guitarrista Ricardo Maia Jr. Nos planos do Ex-Exus está a gravação da novela Serial killer com cenas de violência e humor non-sense.
"O que tem se visto hoje são maiores intersecções na forma de criar música e imagem. O vídeo saiu das amarras de ser só um formato para venda de disco e ficou um formato mais rico artisticamente", analisa Gabriel Furtado, membro do Media Sana, coletivo que começou com um trabalho voltado à discotecagem e depois incorporou as ferramentas visuais, criando uma obra em que é difícil dissociar música de imagem.
Além dessa ampliação de horizontes em termos de formato, o recurso de imagem dos grupos mais recentes também sofreu uma mudança do ponto de vista estético. "As bandas novas me parecem uma grande ironia ao Mangue. Elas mostram a cidade, mas sem a mesma solenidade do Mangue, onde era tudo muito sério e imponente", observa Thiago Soares, jornalista e estudioso do tema. (Thiago Corrêa).