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Pernambuco encontra Moçambique

Humberto França // Escritor
hflince@yahoo.com.br

É indiscutível a presença dos povos e da cultura de Moçambique no Brasil e em Pernambuco, ao longo de nossa história e no presente.

Um pernambucano ilustre participou do processo da libertação de Moçambique. Durante o seu período de exílio, o ex-governador Miguel Arraes manteve contatos com os líderes da independência dos países de língua Portuguesa da África. Acreditava numa futura aliança entre o Brasil e aqueles países. E testemunhou a cerimônia de declaração de independência de Moçambique em 1975.

Os laços que aproximam a cultura moçambicana de Pernambuco tornam imprescindível a ampliação de um diálogo bilateral, objetivando ações no âmbito da cultura, educação, saúde e economia. Uma iniciativa nessa direção poderá gerar a descoberta de muitas aproximações culturais entre Pernambuco e os países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, CPLP, cuja população ascende os duzentos e quarenta milhões de habitantes e que tem alcançado uma importância econômica crescente nas últimas décadas. O desenvolvimento das relações entre Moçambique e Pernambuco poderá criar um significativo avanço da cooperação bilateral, com possibilidades de ser ampliada às áreas de produção e criação de moda, design, turismo e indústria pesqueira.

A escolha de Moçambique vem da constatação de que entre os maiores países que compõem a CPLP, esta nação se encontra em um patamar de desenvolvimento que apresenta excelentes oportunidades de investimentos e de projetos nas áreas cultural, de tecnologia, saúde e educação. O notável trabalho do embaixador do Brasil em Maputo, Toni Souza e Silva, e o empenho com que o presidente do Centro Cultural Brasil - Moçambique, Dr. Raul Calane, vem impulsionando as atividades culturais naquele país, abrem caminhos para a aproximação dos nossos povos.

A magnitude dos recursos econômicos, culturais e humanos do Brasil e de Pernambuco e o seu assinalado desenvolvimento na última década, impõem a responsabilidade de compartilhá-lo com Moçambique e, posteriormente, com os demais países africanos membros da CPLP. Seria, também, importante que atual embaixador da República de Moçambique no Brasil, Murade Murargy, visitasse Pernambuco para conhecer os grandes projetos de criação de camarões e correlatos, o Porto de Suape e o polo de confecções do Agreste do estado.

Possivelmente, nas décadas que se seguirão, o Brasil ampliará a sua presença econômica e cultural na África. Pernambuco e o Nordeste têm de ser parte neste empreendimento. Portanto, faz-se necessário um projeto de longo prazo para nos aproximar de Moçambique e assim afirmar a presença brasileira e pernambucana na região do Oceano Índico, ampliando os negócios, divulgando a cultura, impulsionando ações no campo da cooperação, a música e o carnaval pernambucano em Moçambique e enviando turistas brasileiros para Moçambique via África do Sul.

A floresta de Katin

Josué Souto Maior Mussalem // Economista
jmussalem@hotmail.com

A tragédia que envolveu a cúpula do governo polonês em território russo com a queda do Tupolev 154 tem a ver com uma data histórica relativamente pouco conhecida da história da Segunda Guerra Mundial. O presidente da Polônia e o comando do Exército Polonês vitimados no acidente, estavam indo para uma cerimônia em memória dos mortos no massacre da Floresta de Katin em 1940.

Em 1939, mais precisamente em setembro daquele ano, a Polônia foi invadida pelo Exército Alemão no dia 1º daquele mês. Duas semanas depois, o Exército Soviético atacou a Polônia a partir da fronteira da União Soviética. Atacado por dois flancos enormes o Exército polonês resistiu com bravura, mas foi engolido pela massa dos dois grandes Exércitos inimigos e não teve alternativa a não ser a rendição. Os prisioneiros poloneses, principalmente os oficiais, ficaram à disposição do Exército Vermelho. Em abril de 1940 grandes comboios de caminhões bem como de trens levaram aproximadamente 22.000 poloneses para a Floresta de Katin próximo da cidade russa de Smolensk, onde foram todos assassinados com um tiro na nuca ou na parte de trás da cabeça por ordem expressa de Stalin, ditador comunista da URSS.

Pois bem, esse massacre completou nestes dias setenta anos e o presidente Lech Kaczynsk iria se encontrar com o presidente da Rússia Dmitri Medvedev para uma cerimônia onde a Rússia deveria pedir perdão à Polônia.

Mas vale a pena lembrar o papel da heróica Polônia na Segunda Guerra Mundial. Dividida ao meio entre nazistas e comunistas de setembro de 1939 até junho de 1941 quando Hitler ordenou o ataque a União Soviética em 22 daquele mês a Polônia sofreu toda a sorte de violência por partes de seus ocupantes.

Em abril de 1943, num gesto extremo de desespero, o Gueto de Varsóvia, onde viviam centenas de milhares de judeus em condições sub-humanas, levantou-se contra os nazistas e combateu durante vinte e sete dias fortes contingentes militares alemães inclusive a temida SS. Mas os polonesesnão lutaram apenas dentro do seu país, estiveram com esquadrões de caça na Batalha de Grã-Bretanha em 1940.

Combateram nas colinas de Monte Cassino na frente Italiana no início de 1944.

Segundo o historiador militar britânico Sir Brasil Liddel Hart, foi na Itália onde os poloneses mostraram um grande vigor combativo. Estiveram com uma brigada paraquedista na Operação Market Garden em setembro de 1944. Finalmente, entre agosto e outubro de 1944, os poloneses e seu Exército da Pátria (Armja Krajowa), com um efetivo de 41.000 homens e mulheres, combateram com tenacidade o Exercício Alemão só sendo derrotados pela traição de Stalin.

Terminada a Guerra em 1945, a Polônia foi entregue à URSS por um acordo secreto entre os americanos, britânicos e russos. A Polônia amargaria quarenta e quatro anos de tirania comunista.

O mundo civilizado deve muito à Polônia por sua luta cruenta contra nazistas e comunistas. A Polônia também nos deu o papa João Paulo II, que eliminou o comunismo do mundo com sua impressionante liderança. Portanto, nesses dias em que os mártires da Floresta de Katin são lembrados, setenta anos depois, vale a pena a saudação feita a eles principalmente ao Exército da Pátria: Stolze PolenN!!! (orgulhosos poloneses)!!!...

Credibilidade das instituições públicas

Luiz Guimarães Gomes de Sá // Médico
lgprojet@gmail.com

Ao longo de décadas, a decadência das instituições públicas é gritante, levando ao total descrédito da sociedade pela ineficiência dos serviços prestados, por conta das fraudes, má gestão e consequente falta de efetividade naquilo que se propõem a realizar.

Considerando os diversos fatores que envolvem uma administração, é preciso equacionar essas variáveis em suas dimensões e dificuldades, e essa visão deve propiciar um estudo amplo para as ações de planejamento a curto, médio e longo prazos.

Se isso já é feito, falta avaliação, controle e cobrança de resultados, pois, na prática a ineficiência de um modo geral, existe em todos os serviços fazendo parte do dia a dia do sofrido contribuinte.

Não raro, a imprensa noticia que grandes lotes de medicamentos estão vencidos pela não distribuição, ou seja, falta uma ação de ordem administrativa, não se constituindo em escassez de recursos e sim de gestão. Esse é um dos inúmeros exemplos que poderíamos citar.

Em contrapartida, é comum observarmos na mídia uma propaganda massificada, aliás, totalmente enganosa, onde procuram mostra serviços que a rigor não foram efetuados com a plenitude e qualidade esperada e devida.

Esses fatos corroboram que o problema dos serviços públicos de um modo geral não é falta de recursos em sua totalidade e sim, ausência de uma gestão qualificada e compromissada, pois, os apadrinhamentos políticos se sobrepõem a capacidade funcional do servidor gerando esse processo crônico de péssimos serviços.

Destacamos, contudo, exceções nesse contexto: a Policia Federal e Receita Federal. Entendemos que esses órgãos são eficazes, inobstante equívocos, erros ou mesmo injustiças que possam existir.

Analisando as ações decorrentes de um planejamento prévio e meticuloso, percebemos que os resultados existem a nível satisfatório ou mesmo de excelência que na maioria dos casos são atingidos. Ora, a inteligência existe no lado dos desonestos e também dos honestos. Por que, então, a prosperidadesomente ocorre naqueles? Por que o crime é chamado de organizado? A resposta é simples: porque dá resultado...

As fraudes e as improbidades administrativas ocorrem com frequência em todos os setores da sociedade. Então, por que não realizar um planejamento consciente e consistente com a realidade atual, limitando ao máximo essas ações nefastas? A alternância de poder gerencial nas empresas privadas não prejudicam as metas e objetivos das mesmas, porém, na esfera pública, ocorre o contrário. Não há uma continuidade em diversos aspectos, daí o resultado caótico dos serviços.

Juntando-se a tudo isso temos, ainda, a burocracia que emperra todo processo, inclusive, as licitações que são necessárias, mas não são ágeis. Ações coordenadas envolvendo vários setores como, auditoria interna e externa, fiscalização presente e atuante, são medidas coadjuvantes para que essas ocorrências diminuam e os fraudadores fiquem intimidados para não mais fazê-las. Um potencial que poderá ser amplamente explorado é a efetiva participação dos servidores, onde suas opiniões e sugestões poderão ser validadas, já que diariamente, lidam com os problemas em seus setores de trabalho. Assim, a excelência da gestão pública é a nosso ver, a solução para os inúmeros problemas que temos nesse particular, onde a economia e bons serviços podem ser plenamente alcançados.

Colégio Militar do Recife - Hino ao Amor

Hélio Sena dos Santos // T. Cel. Méd. AER.
Agrício Braz os Santos Filho // Médico Veterinário
sena.helio@terra.com.br

Comemoram-se os 50 anos do Colégio Militar do Recife (CMR), instituição militar do Exército que prepara jovens para a vida, com dedicação e civismo. Nasceu às "margens do Capibaribe", na antiga Faculdade de Medicina do Recife no bairro do Derby, onde hoje funciona outra consagrada entidade - a Academia Pernambucana de Medicina.

Estas palavras são, na verdade, para consagrar um hino que foi criado há 40 anos. O autor, ex-aluno do Colégio, hoje médico veterinário, idealizou a letra e seu pai, um maestro militar, a musicalizou.

Era o ano de 1971, quando o edital do CMR abriu inscrições para concurso do hino da referida instituição. O autor trouxe para casa as informações necessárias à participação, juntamente com a ideia inicial de: "nasceu às margens do Capibaribe".

Seguindo à tradição da época, as famílias reuniam-se para realizar as refeições, com o patriarca à cabeceira da mesa, num sinal de respeito, reverência e hierarquia. Conversavam sobre o dia a dia. Não havia TV interferindo nos assuntos cotidianos. Como era o mais jovem de cinco irmãos, houve manifestações e opiniões de todos e o "hino familiar", depois de idas e vindas, acabou por florescer, em que pese as insistentes e quase impositivas insurgências do autor com algumas estrofes.

Finalmente rimas e versos foram aprovados pelo "petit comiteé", sendo conclamado como Hino ao Amor, pelo companheirismo, dedicação e fraternidade.

O autor, ao concluir o colegial, teve oportunidade de fazer escola militar do Exército, mas optou por vestibular de veterinária, diplomando-se em 1978. Posteriormente, viajou para o Acre e cidades amazônicas, vindo a se especializar em Saúde Pública, complementando sua "pós-graduação" em Manaus e São Paulo.

Foi agraciado com as medalhas Marechal Trompowsky, do Instituto de Docentes do Magistério Militar em 2008; com o diploma de amigo do Colégio Militar em 1996; Troféu Santo Elizeu, pela Academia Pernambucanade Médicos Veterinários.

Ao participar das festividades alusivas aos cinquenta anos do CMR, emocionou-se e trouxe na lembrança, de volta ao seio familiar, a mais importante de todas as comendas um dia recebidas: a consagração do Hino ao Amor!. Parabéns, Colégio Militar do Recife!


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Edição de sexta-feira, 16 de abril de 2010 
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