O governador Eduardo Campos (PSB) cumpre hoje, em Brasília, agendas administrativa e política. Na pauta, divulgada ontem pela assessoria de imprensa do socialista, consta apenas o compromisso de discutir com o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, o destino da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf).
 Amaral nega que PSB dependa de aval de Lula para definir candidatura de Ciro. Foto: Ricardo Stuckert/PR - 22/2/07 |
Mas, numa conversa por telefone com o primeiro vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, o Diario apurou que, nos bastidores, Eduardo vai assumir o papel de presidente nacional do partido para tratar da polêmica sobre uma eventual candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB) à Presidência da República.
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A gente não tem nada definido. Tudo é possível"
Eduardo Campos sobre candidatura de Ciro
No encontro com o ministro, previsto para as 16h30, o governador vai discutir um problema de ordem interna. Ele, na verdade, vai tentar recuperar a posição de protagonista na luta em defesa da autonomia da Chesf. Na última segunda-feira, no ato de protesto promovido por políticos e funcionários contra à subordinação da empresa à Eletrobras, os oposicionistas cobraram um postura mais contundente do governador. O socialista, então, apressou-se para articular uma conversa com Márcio Zimmermann e demais governadores do Nordeste.
Ontem, Eduardo conversou, por telefone, com o presidente Lula (PT) a quem pediu que intermediasse o encontro dele com o ministro. Oficialmente, segundo a assessoria do governador, os dois trataram apenas do impasse da Chesf. O tema Ciro Gomes teria ficado de fora. O destino político do deputado é um assunto delicado entre os socialistas. Roberto Amaral, por exemplo, confirmou a reunião de hoje com Eduardo Campos, mas não quis dizer nada que pudesse atrapalhar as articulações políticas do partido. "Não posso falar agora", ponderou. Ele adiantou, apenas, que o deputado Ciro Gomes não estará presente à reunião.
Amaral também negou a versão de que o PSB depende de um entendimento com Lula para decretar o fim do sonho de Ciro Gomes de concorrer à sucessão presidencial. "Essa decisão é exclusivamente nossa", garantiu. Eduardo Campos, por sua vez, continua alimentando o suspense emtorno da permanência do aliado na disputa. "A gente não tem nada definido. Tudo é possível", afirmou na última segunda-feira. Ontem à noite, o governador cumpriu agenda administrativa em São Paulo. Antes, ele esteve no Rio de Janeiro, onde assistiu à missa em memória do tio (Carlos Augusto Arraes), falecido em 25 março. Já Ciro Gomes chegou a Brasília no final da tarde. O socialista, de acordo com assessores, passou o feriado da Semana Santa em Fortaleza.
Ciro fica até maio
"Até maio, a gente resolve essa situação, mas eu continuo e sou candidato a presidente", declarou Ciro Gomes em matéria reproduzida ontem na sua página virtual. Em entrevista ao portal da TV Jangadeiro, lamentou o fato de "boa parte" da mídia nacional está apostando na sua desistência da corrida presidencial. Questionado se poderia fazer algum tipo de acordo com José Serra, por estar magoado com o PT, que não vê com bons olhos seu desejo de disputar a sucessão de Lula (PT), o socialista foi enfático: "é mais fácil o boi voar". Ciro disse que o seu desejo é derrotar Serra e não escondeu o temor da pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, perder para o tucano.