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Uma máquina pública



O casarão onde funciona o Mamam é de 1890. Numa época de bailes e flertes, a casa abrigava o Clube Internacional do Recife. Só na década de 1980 a Galeria Metropolitana de Arte Aloísio Magalhães passou a ocupar o local, transformado em museu em 1997. Desde então, quatro diretores passaram pelo local, grandes exposições foram realizadas, mas para todos eles ficou a lição de que o museu precisa ser prioridade na política cultural da cidade.

"O Mamam exercia um papel fundamental. Pernambuco sempre teve uma presença artística importante e a ausência de um museu era uma lacuna para movimentar esse cenário e fazer circular essa arte. A resposta do público também surpreendia, era muito boa. Depois do Mamam, a arte contemporânea em Pernambuco adquiriu mais força; era um canal que falava com os artistas, estabelecia um diálogo com a produção nacional e internacional e fazia com que a arte daqui circulasse".

Marcus Lontra, diretor do Mamam entre 1998 e 1999

" Avançamos colocando o museu definitivamente no cenário e dando o mínimo de estrutura física. Fizemos toda a catalogação do acervo e possibilitamos uma reserva técnica adequada. Publicamos um catálogo com o inventário do acervo, adquirimos muitas obras, como por exemplo, a coleção de gravuras de Samico. Por outro lado, o museu passou a propor exposições e não só receber. Cumpriu o papel de atualizar o repertório da população. Tivemos exposições de Cildo Meireles, Antonio Dias, Nelson Leirner. Os artistas daqui tiveram tempo e recursos para desenvolver trabalhos, como Marcelo Silveira, Gil Vicente, Carlos Mélo. Mesmo assim, as artes visuais não fazem parte de uma agenda de prioridade na sociedade. É uma dificuldade para tocar projetos por ser uma instituição ligada a um órgão público, que tem burocracia e pouca flexibilidade. O próprio fato da reforma ter durado dois anos e ainda assim termos pendências mostra que os problemas parecem continuar. Se as artes visuais ocupassem um papel fundamental, seria motivo para um escândalo o museu ficar fechado; mesmo que, parte desse atraso, seja por conta dos trâmites. Mas sou muito solidário e confiante com a atual gestão".

Moacir dos Anjos, diretor do Mamam entre 2001 e 2006

"Assumi a direção quase no fim da gestão municipal. Percebi na prática que os museus fazem parte de uma política mais abrangente; que quaisquer mudanças na gestão, no contingenciamento de recursos, influem diretamente. A ideia era levar adiante o fortalecimento do museu, mas já sabia dos problemas que enfrentaria, como a parte elétrica. Tinha um laudo que apontava risco de incêndio. Era uma perda de 40 lâmpadas por mês. Sabia também que faltava um projeto de acessibilidade. Conseguimos aprovação num edital do Iphan para fazer o elevador, mas não a parte elétrica. Além disso, no início do ano, em 2008, um ornamento da fachada caiu e a perícia concluiu que outros elementos poderiam cair. Então tivemos que fechar para não causar acidentes. Ainda tínhamos problemas com ar-condicionado. A partir daí, não pudemos continuar com exposições. Sempre tive um vínculo afetivo com o Mamam; porque criei repertório, quando comecei a estudar arte, com o Mamam e a Fundação Joaquim Nabuco. Então foi frustrante, não poder levaras melhorias que eu pretendia, mas foi importante notar que ele faz parte de uma rede, que precisa do suporte da máquina. Acho que os desafios continuam: fortalecer, ampliar e trazer a sociedade para o museu, que é um espaço público".

Cristiana Tejo, diretora do Mamam entre 2008 e 2009


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Edição de quarta-feira, 17 de março de 2010 
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