O pernambucano Sidney Lima, de 23 anos, começou a imaginar uma solução que poderá em pouco tempo acelerar o tratamento e até curar pessoas com câncer. A ideia começou quando ele estava em busca de um projeto de conclusão para o curso de engenharia da computação da Universidade de Pernambuco (UPE). Há cerca de dois anos, Sidney, que atualmente faz mestrado na área de informática, desenvolve um software capaz de calcular o tamanho e classificar os tumores mamários e intracranianos. "Descobri que estas são as doenças que mais matam no país e comecei a conversar com médicos para saber o que faltava no tratamento. Daí, soube que um dos maiores problemas estava relacionado ao cálculo do tumor. Então, investiguei e usei os algoritmos que já conhecia para criar uma alternativa", lembra.
 Sidney Lima fez um software para calcular o tamanho e classificar tumores Foto: Juliana Leitão/DP/D.A Press |
O sistema pensado por Sidney consegue hoje uma precisão de décimos de milímetro, evitando possíveis erros humanos. Porém, até o fim do mestrado, em meados de 2011, ele pretende chegar mais longe. "Quero acertar em centésimos de milímetro e, quem sabe, doar o programa para o Ministério da Saúde, que poderá incluí-lo no documento de consenso para determinar regras e classificação de tumores", diz. Para o estudante, entretanto, o apoio recebido até agora para manter a sua pesquisa tem sido importante. "Dominava a técnica, mas a ajuda dos professores foi fundamental. Além disso, sem a ajuda da instituição financiadora não poderia comprar as peças que permitem levar a pesquisa para outro nível", completa.
É por meio de estímulos como este que universidades e instituições financiadoras, a exemplo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Pernambuco (Facepe), que pagará a bolsa de estudos de Sidney, vem aos poucos mudando a produção acadêmica no estado."Por muito tempo, a maioria das pesquisas terminava em artigos científicos, sem gerar produtos e patentes. Mas esta realidade vem mudando, pois agora já começamos a ver projetos sendo incubados e virando empresas, além das próprias instituições de ensino se movimentando para gerar mais patentes", comenta o professor do curso de engenharia da computação da UPE, Sérgio Campello.
Cascata - "As exigências que fazemos aos alunos para novos projetos são basicamente as mesmas: ideias que tenham valor comercial e que tragam certo nível de inovação. Não queremos que eles terminem o curso criando softwares para controle de estoque de padaria, por exemplo, porque isso eles já fazem normalmente na sala de aula", explica o coordenador da graduação de desenvolvimento de sistemas da Unibratec, Luís Eduardo Oliveira, que mantém a marca de 98% dos ex-alunos empregados no mercado local.
Vinícius Ottoni, 21, por exemplo, é um dos que saíram do curso empregado e sabe que as vagas não chegam por acaso. Ex-aluno de análise e desenvolvimento de sistemas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFPE), antigo Cefet, Ottoni ganhou notoriedade no ano passado após ter vencido a etapa mundial da Imagine Cup, competição mundial de informática patrocinada pela Microsoft, com o jogo Choice, game de raciocínio ede reflexos com temática humanitária. Agora, enquanto faz mestrado na UFPE e trabalha numa grande empresa de TI de Pernambuco, ele desenvolve um novo game, que envolve os diversos problemas do milênio (como fome e educação), para a edição 2010 da mesma competição."Gostei do desafio porque você precisa resolver problemas que serão encontrados no mercado de trabalho", resume. (T.M).