Apenas quando o professor Luís Eduardo Oliveira, coordenador do curso de desenvolvimento de sistemas da Unibratec, ligou no início deste mês para Felipe Moreira, 21 anos, avisando sobre esta reportagem do Diario, que ele, graduado desde o fim do ano passado, parou para pensar o quanto o seu projeto de graduação poderia ser uma oportunidade real de negócio. "A gente nem chegou a se reunir para conversar sobre a chance de levar a nossa ideia adiante. Para falar a verdade, nem sabemos muito bem quais são todas as possibilidades oferecidas pelo mercado. Mas é claro que temos interesse, só não temos nenhum patrocinador", explica o jovem, que junto a cinco amigos de turma criou o ISS, ou Intelligent Security System (Sistema de Segurança Inteligente) para automação residencial e empresarial.
 Guilherme Cavalcanti (E), Cássio Melo, Guilherme Paiva e André Diniz criaram a rede colaborativa para professores e estudantes do ensino médio Foto:Ricardo Fernandes/DP/D.A Press |
"O grande diferencial do projeto, que envolve monitoramento de câmeras, envio de alarmes de segurança para celulares, biometria e identificação de veículos, está no preço final. A nossa solução terá um custo muito menor do que os concorrentes", garante. Apesar de saber das vantagens, a falta de interesse de Felipe, assim como de outros estudantes do setor de tecnologia da informação e comunicação (TIC) de levar os propósitos de faculdade adiante mostra o quanto perdemos de inovação dentro das universidades pernambucanas. São centenas, se não milhares de planos deixados de lado por causa das mais diversas dificuldades. Um desperdício de oportunidades, que vem sendo observado pelas instituições e tem chamado a atenção de reitores e professores locais, interessados em mudar a situação.
"Vimos muitas vezes o mercado lançar produtos que já haviam sido pensados por nossos alunos anteriormente, mas que não haviam seguido em frente", comenta Alex Sandro Gomes, professor do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (CIn/UFPE) e coordenador do Recife Beat, incubadora de empresas de TIC do centro de ensino. Foi pensando nisso que a instituição mudou a metodologia de formação e de fomento nos últimos anos. "Criamos o Atelier de Projetos, que acompanha e estimula as ideias desde os primeiros períodos da graduação até a formação, com suporte de diversos professores e disciplinas", completa.
 Felipe(E), Aprígio, Anderson e Danilo: sistema de segurança inteligente Foto: Inês Campelo/DP/D.A Press |
Concreto - A metodologia do Atelier de Projetos da UFPE foi fundamental, por exemplo, para iniciar a rede social Redu (
www.redu.com.br), voltada para o ensino escolar com a ajuda da internet. O portal, que começou a ser montado no semestre passado, será lançado como negócio até maio deste ano. "Nosso objetivo é oferecer um sistema capaz de reunir professores e alunos num único ambiente e possibilitar a postagem e a distribuição de vídeoaulas, slides, PDFs, áudios e outros conteúdos multimídia. A inscrição e o acesso serão gratuitos, mas os profissionais que quiserem poderão comercializar aulas e até apostilas virtualmente", diz o mestrando Cássio Melo, 25 anos, sócio do empreendimento junto aos estudantes Guilherme Cavalcanti, Guilherme Paiva e André Diniz, todos do 6º período da graduação de ciência da computação, além do próprio professor Alex Sandro Gomes, que apadrinhou a iniciativa e foi responsável por reunir os alunos, agora empreendedores, acreditando na própria ideia.