Uma vaga na chapa majoritária ao lado do governador Eduardo Campos (PSB). Cargo de senador em jogo. Dois possíveis candidatos do PT. Cerca de uma hora de conversa, na tarde de ontem, em um hotel de Boa Viagem. Resultado? Tanto o secretário estadual das cidades, Humberto Costa, como o ex-prefeito João Paulo mantêm o desejo de disputar a eleição. Mas agendaram uma nova reunião, ainda nesta semana, para definir se será possível chegar a um consenso ou se o jeito será recorrer às prévias para definir o nome que vai concorrer.
 Petistas conversaram a sós, por cerca de uma hora, e agendaram nova reunião Foto: Jaqueline Maia/DP/D.A Press - 16/12/07 |
No encontro de ontem, os dois petistas conversaram a sós e decidiram que cada um vai consultar seu grupo de aliados - a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), no caso de Humberto, e o Campo de Esquerda Unificado (CEU), no de João Paulo - e estudar possíveis termos para uma negociação. Também foi acertado que voltarão a procurar o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, para avaliar a possibilidade de consultar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a pré-candidata à Presidência, Dilma Rousseff, sobre a eleição em Pernambuco e a disputa interna no partido.
João Paulo e Humberto tiveram um encontro com Dutra no início do mês para tratar da "briga" pela vaga para o Senado. Na ocasião, se comprometeram a conversar, para tentar chegar a um consenso. O encontro, finalmente realizado ontem, foi elogiado por ambos. "No mínimo houve a conversa. Já foi algo muito positivo", declarou João Paulo. "Foi uma boa conversa. Vamos discutir as bases para uma eventual negociação e tentar chegar a um acordo", afirmou Humberto. Por ora, no entanto, ninguém admite ceder espaço para o outro. "Achamos que nossas candidaturas são válidas", disse Humberto. "Ainda não sabemos se vai haver prévia. Se vai ter negociação ou impedimento", afirmou João Paulo.
Como parte da estratégia para resolver a disputa interna em Pernambuco, o PT nacional começou a definir alguns critérios para escolher o melhor candidato para o Senado e tentar evitar a realização de prévias. O partido decidiu avaliar a força interna e externa de cada um, o potencial eleitoral, a melhor relação com os partidos aliados e a posição do governador Eduardo Campos com relação ao nome indicado.
A cúpula do partido também defende a discussão sobre o compartilhamento do projeto de poder. O objetivo é dividir os espaços de representação política e evitar a hegemonia de um grupo político em detrimento de outros. "O partido precisa discutir a conjuntura política e avaliar quem pode ser o candidato", disse um petista do comando da legenda ao Diario na semana passada.