A internet tem dessas coisas: vez ou outra, uma figurinha ganha destaque repentino. Na última semana, o misterioso DJ Cremoso viu suas versões tecnobrega de músicas pop e rock estourarem o limite de downloads do site SoundCloud.
 Arte de Jarbas/DP |
Coisas inacreditáveis como Losing My Religion na batida do arrocha e Human, do The Killers, num delicioso brega romântico. No Twitter, ele diz ser do Pará e que trabalha também como pedreiro. A história, claro, não é verdadeira. No microblog corre rumores de que o guitarrista Cláudio N, do Chambaril, seria o inventor da Creamy Music - como DJ Cremoso define sua mistura calórica. Cláudio se esquiva, mas diz que o tal DJ é mesmo do Recife. A foto do Twitter, inclusive, foi tirada do Google Imagens. "As músicas do DJ Cremoso fazem sucesso poque os vocais são conhecidos e as bases são fáceis. São cativantes", diz Cláudio.
O relativo sucesso que o DJ Cremoso conseguiu nessas duas semanas de atividade não era esperado. "Eu não estou entendendonada até agora. Eu imaginava que a maioria das pessoas iria ouvir e dizer "mas que merda é essa?". E acho até que eles dizem isso, mas segundos depois já estão mandando o link para os amigos. Eu sempre quis entender como é que certas coisas se espalham tão rápido na internet, e está sendo uma boa lição viver isso na prática", avalia o próprio, por -email.
Desconhecer a identidade do DJ Cremoso não interfere em nada em saborear suas versões. A primeira música divulgada foi In Bloom, do Nirvana. Depois veio Poker Face (Lady Gaga), Take on Me (A-ha), Blue Monday (New Order), Beat it (Michael Jackson). Foram dez remixes. Um dos últimos foi I kissed a girl, de Kate Perry, cantora norte-americana de voz aguda, que na batida do tecnobrega de Cremoso soa como Joelma. Ele, aliás, não curte o Calypso. "Mas reconheço que é uma grande banda. Talvez a banda independente mais bem sucedida do Brasil". Cada remix, diz, leva cerca de uma hora para ser feito. "Da primeira vez demorei três. Quando é remix de arrocha, leva maistempo, porque as linhas de baixo são complicadas e eu escrevo tudo com o mouse, nota por nota", explica. A letra de Human, remixada por ele, questiona: "Estou de joelhos/ procurando pela resposta/ Somos humanos ou dançarinos?" No ritmo do tecnobrega, somos todos dançarinos.