O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), chegou ontem pela manhã em Brasília revigorado com o que ouviu do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), na reunião que tiveram na última segunda-feira à noite.
 Senador passou o dia ontem em contato com governadores e representantes do partido, para apaziguar os ânimos. Foto: Ueslei Marcelino/Esp. CB/D.A Press - 22/11/07 |
Ele obteve de Serra a confirmação de que será candidato à Presidência da República e que a formalização da postulação é uma questão de tempo - no caso, o dia 22. De posse da certeza do sim, Guerra tratou de acalmar governadores e líderes estaduais do partido. Ao longo do dia, encarregou-se de fazer telefonemas para apaziguar ânimos, distensionar as bases.
De seu gabinete em Brasília, agiu para dar uma satisfação a aliados que nos últimos dias mostraram-se cada vez mais ansiosos por conta do silêncio de Serra. A aflição tem sido aguçada porque, ao contrário da indefinição da oposição, a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, foi aclamada na última convenção do PT, em Brasília, como candidata do partido à sucessão de Lula.
Nas declarações dirigidas à imprensa ontem, Guerra fez também questão de reafirmar o projeto "Serra 2010": "Essa questão de Serra ser ou não candidato não é mais relevante. Ou alguém ainda duvida de que ele é candidato?", questionou, afirmando em seguida que o foco do partido, nos próximos dias, enquanto Serra se dedicará à inauguração de obras do governo de São Paulo, será "organizar a campanha".
Guerra usou também o mesmo tom de despreocupação quando falou do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), pretendido para ser o vice numa chapa puro sangue do PSDB. "Não vamos tratar deste assunto agora, como o PT não trata disso agora, como o PSB não trata disso agora", afirmou.
Mas ao mesmo tempo em que esforça-se para mostrar que Serra está determinado a assumir a candidatura, Guerra administra complicações em palanques estaduais. Ontem, teve reunião com o senador Tasso Jereissatti (PSDB-CE), que há poucos dias deu declarações em favor da reeleição do governador do Ceará, Cid Gomes (PSB). A simpatia de Tasso pelo socialista compromete os planos de o PSDB ter candidato próprio naquele estado. E pior: põe os tucanos no palanque de Dilma Rousseff. Para complicar ainda mais, Cid é irmão do deputado Ciro Gomes, desafeto declarado de Serra.
Existe também a questão do candidato serrista em Pernambuco. Ontem, cresceram os rumores de que o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) estaria ainda mais distante do projeto que a oposição local tenta lhe impor: disputar o Executivo estadual com o governador Eduardo Campos (PSB). No último domingo, Jarbas afirmou, em entrevista, que acabou o prazo para Serra se posicionar.
Na segunda-feira, o senador revelou, em entrevista ao Diario, que desde o fim de semana esperava um telefonema de Serra convidando-o para um encontro em São Paulo. Até ontem, no começo da noite, a ligação não tinha acontecido. Ganha força a tese de que a decisão de Jarbas depende cada vez menos da definição do governador de São Paulo.