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Comportamento // Ser mulher está na moda
Defender Geyse Arruda ou votar em Dilma para presidente pode significar um engajamento político de acordo com os novos tempos
Phelipe Rodrigues
pheliperodrigues.pe@dabr.com.br


O Dia Internacional da Mulher foi instituído em 8 de março de 1857. A data surgiu com uma tragédia: em Nova York trabalhadoras perceberam que as condições na indústria têxtil ultrapassam o limite do humano.

Lady Selma lembra que o feminismo foi fundamental para as conquistas atuais. Foto: Jaqueline Maia/DP/DA Press
14 horas de trabalho sem direito à licença maternidade. A polícia tentou conter a manifestação com fogo. 129 operárias foram para a fogueira, queimadas no galpão de uma fábrica. Amanhã, 153 anos depois, brasileiras observam a data com a possível candidatura feminina à presidência do país, uma universitária expulsa pela roupa inadequada e o desejo de permanecer jovem para sempre. Os dados são comentados por mulheres que investigam como essas mulheres constróem sua persona social. A consultora de estilo Costanza Pascolato, além das antropólogas Mirian Goldenberg e Lady Selma Albernaz.

Para todas elas, as possibilidades que se apresentam para as mulheres são frutos de uma luta contínua ao longo de todo o século 20 e nesse início do 21. "Quem observa de fora pode ter a impressão de que os avanços como conquistas no mercado de trabalho e direito a cargos na política se deram espontaneamente", reclama Lady Selma Albernaz, professora do departamento de antropologia da Universidade Federal de Pernambuco. Mas, como ela lembra, o movimento feminista está na base de tudo. "Ele se adaptou ao longo dos tempos. As feministas contemporâneas podem ter um novo perfil, mas as pautas básicas ainda guardam alguma similaridade com as do passado", completa a antropóloga carioca Mirian Goldenberg.

Salários - No campo do trabalho, por exemplo, as brasileiras têm uma condição salarial distinta dos brasileiros. De acordo com dados do IBGE, em 2006 o salário médio (dividido por cor e sexo) pagos a homens brancos chegava a R$ 1.164,00. As mulheres com mesmo tom de pele recebiam R$ 744,71. "As negras com carga horária e responsabilidades parecidas tinham um saldo mensal de R$ 388,18. Isso significa que o feminismo é cada vez mais plural", adianta Lady Selma. Os problemas feministas devemser divididos por grupos. Como assim? Se Geyse Arruda (a universitária paulista hostilizada por colegas da Uniban, em outubro de 2009) morasse em algum bairro de classe média alta em São Paulo, talvez, a reação a sua roupa muito curta fosse outra.

Até o fato de se posicionar em defesa dela também indica um engajamento político atualizado. "Ser mulher está na moda. Defendê-las ou mesmo oferecer uma candidata como presidente pode pegar muito bem. Algo como ter um núcleo de atores negros em uma novela", ironiza Lady Selma. A crítica pode parecer muito dura, mas ela justifica. "Até agora, a Organização das Nações Unidas tem um departamento para as mulheres. Uma das ações é garantir o acesso delas nas eleições e aumentar esse número em cargos eletivos". Tudo para corrigir o desequilíbrio de oportunidades entre os gêneros. "Como dá para ver, ainda estamos em construção", conclui a antropóloga pernambucana.

Relação salarial

Em 2006 o salário médio das pessoas que viviam no Brasil por cor e sexo era:

Homens brancos
R$ 1.164,00

Mulheres brancas
R$ 744,71

Homens negros
R$ 586,26

Mulheres negras
R$ 388,18


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Edição de domingo, 7 de março de 2010 
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