A relação entre política e carnaval é mais intrincada do que se pensa. Pelo menos para a Prefeitura do Recife, a Folia de Momo também é sinônimo de peregrinação de blocos solicitando apoio do município e, por tabela, a intervenção de vereadores para garantir ajuda da PCR nas festas das comunidades assistidas por eles.
 Cabeça de Touro - que desfila no Engenho do Meio, reduto de Cadoca (PSC) - conta com apoio da prefeitura. Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press |
Além da Fundação de Cultura do Recife, responsável pela contratação de orquestras e pela estrutura do evento, o prefeito João da Costa (PT) acionou a Secretaria de Coordenação Política de Governo para avaliar a avalanche de pedidos e evitar ciumeira entre os parlamentares.
Segundo o secretário interino de Coordenação Política de Governo, Henrique Leite (PT), a prefeitura concede quatro tipos de ajuda aos blocos, mas nenhuma envolve repasse direto de verba: "Enviamos gratuitamente orquestra de frevo, minitrio, instalamos um palanque ou fazemos a gambiarra, que é como chamamos a iluminação de uma rua", disse. Segundo Leite, a PCR ainda não dipõe da quantidade de pedidos atendidos este ano, mas a expectativa é a mesma do carnaval de 2009, ou seja, 800 apresentações de orquestras e 150 minitrios cedidos gratuitamente.
Responsável pelo diálogo entre a Prefeitura e a câmara municipal, o secretário garante que o critério de ajuda aos blocos não tem vínculo com indicação dos vereadores. "Os blocos fazem os pedidos à Fundação de Cultura e nosso papel é avaliar se o bloco tem história na comunidade. Não adianta bloco 'pega-bêbado' pedir ajuda que não vai ser aprovado. Há blocos sérios como o Cabeça de Touro, que desfila no reduto de (deputado federal) Cadoca e que nós ajudamos mesmo assim. Carnaval está acima da política", disse Leite.
O depoimento do vereador da base governista Edmar Oliveira (PHS) contraria, em parte, as afirmações do secretário. O parlamentar relatou que está ajudando "com dinheiro do próprio bolso" 32 blocos de comunidades do Recife, mas disse que já intercedeu pelo apoio a "um ou dois blocos" junto à prefeitura. "O que acontece é que muitos pedemajuda ao vereador e para a prefeitura ao mesmo tempo. Este ano, eu comprei 4 mil camisas para distribuir gratuitamente". O vereador da oposição Daniel Coelho (PV) diz que o critério político existe: "É lógico que existe a indicação política. Caso contrário, não haveria secretaria para tratar oassunto com os vereadores. Mas se alguém da oposição resolver intermediar o apoio da Prefeitura a um bloco conhecido também é atendido sem problema".