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PSB se cala, enquanto PT segue pragmático
Sucessão // Eduardo Campos silencia sobre o fortalecimento do PMDB. Já o PT defende a importância do partido como garantia da governabilidade
Josué Nogueira
josuenogueira.pe@dabr.com.br


Aliado de primeira hora do presidente Lula (PT), mas hoje ocupado em respaldar a candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB) à Presidência da República sem ferir o projeto do Planalto de eleger a ministra Dilma Rousseff (PT), o governador Eduardo Campos prefere não se posicionar sobre o poderio do PMDB no processo sucessório.

João Paulo e o prefeito do Recife, João da Costa, se cumprimentaram civilizadamente no Baile Municipal, que foi concorrido em presença de políticos. Foto: Fernando Silva/PCR
Embora presida nacionalmente o PSB, portanto homem de voz ativa no referido processo, Eduardo recusa-se a emitir qualquer opinião sobre a reeleição do deputado Michel Temer (SP) para a presidência do PMDB e o seu consequente fortalecimento para ocupar a vice na chapa de Dilma. De outro lado, petistas reconhecem ser necessário discutir o nome do vice, mas afirmam que sem o PMDB a governabilidade fica comprometida.

Ontem de madrugada, enquanto circulava pelos camarotes do Baile Municipal do Recife, Eduardo deixou claro que o PSB não vai, pelo menos pela Imprensa, opinar sobre a questão. "Esse debate não nos cabe fazer. Sou presidente do PSB. A convenção foi do PMDB", disse, referindo-se à convenção que ratificou, no sábado, a manutenção de Temer no comando do partido. Enquanto Alceu Valença e Daniela Mercury sacudiam a multidão, surgiam ponderações nos bastidores do camarote do governador.

O silêncio do PSB é estratégico. Isso porque o PMDB pode se aliar aos tucanos, caso o governador de São Paulo, José Serra, desista de concorrer à Presidência. "Sem Serra, o caminho para candidatura de Aécio (Neves, governador de Minas Gerais) estará aberto e ele certamente atrairá o PMDB. Portanto, nada está definido. Não há porque travar essa discussão agora", comentou um integrante da base eduardista.

Lideranças do PT que marcaram presença na mais concorrida prévia do carnaval de Pernambuco, mostram pragmatismo ao falar do assunto. Reconhecem que o partido recorre a barganhas e tem caciques bem distantes do que reza a democracia - caso dos senadores José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL) -, mas lembram que a sigla tem uma fatia expressiva do Congresso e, sem ela, a governabilidade não existe. O prefeito do Recife, João da Costa, afirmou que sem o PMDB não há como governar o país. O secretário das Cidades, Humberto Costa, ressaltou a importância da aliança, mas observou que as discussões estão apenas começando. "Todas as forças irão opinar", ressalvou.

O ex-prefeito João Paulo disse que o PMDB oferece uma possibilidade mais ampla de governabilidade e que essa dependência decorre da realidade política nacional. "Temos dificuldades nas alianças dos estados, o PSB também tem, mas há muitas interseções entre os partidos (governistas) pelo Brasil. Porém, até Serra se decidir haverá indefinições". O deputado Fernando Ferro, que acaba de assumir a liderança do PT na Câmara, também reconhece a relevância do PMDB, mas diz que por ele Ciro seria o vice de Dilma. Ferro disse ainda que a postulação de Ciro é legítima, mas defende o entendimento em torno de um única candidatura.

Integrante da base do governo Lula também presente no Municipal, o deputado federal Paulo Rubem (ex-petista, hoje no PDT), defende que a discussão sobre as candidaturas no campo governista seja incentivada e não tolhida, como quer o PT. "Ciro está coberto de razão em defender seu nome", disse. Sobre a aliança do PMDB e PT, avalia que é preciso, antes de tudo, definir muito bem qual será o papel dos pemedebistas, principalmente de Sarney e Renan, num eventual governo de Dilma.

O deputado federal Armando Monteiro, presidente estadual do PTB, destacou ser preciso administrar bem as contradições existentes no apoio do PMDB. "Acho que Dilma deve ter um certo grau de liberdade (para opinar sobre a chapa)".


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Edição de segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 
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