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Opinião



O papa Pio XII e o Holocausto

Pedro de Albuquerque // Escritor
http://pedrodealbuquerque@wordpress.com

Válida iniciativa celebrar a memória do Holocausto, para que jamais seja esquecido. Todavia, essa memória contingente não pode obnubilar a memória continente da Inquisição Católica Romana: a qual lhe emprestou base ideológica, causa e método. Vindo, mesmo, a ter continuidade com as atrocidades e expulsões dos judeus dos países muçulmanos no período de 1940 a 1948. Cumprindo ressaltar o seu mentor o Mufti de Jerusalém, tio do terrorista Yasser Arafat, íntimo de Hitler: Mohammad Amin Al Husayni.

Em números, tem-se que havia na Líbia 30.000 judeus, hoje nenhum. Já no Iraque onde havia 150.000; hoje apenas 40 remanescem. No Líbano: 30.000; hoje 30. Síria: 30.000; hoje 100. Irã: 400.000. Yemen: 55.000; hoje 200. No Marrocos, terra do herói José Albuker, líder da resistência e coordenador do desembarque das tropas aliadas de libertação, onde havia 500.000; hoje não mais do que 7.000. Argélia: 140.000; hoje 100. Tunísia 105.000; hoje 1.500. Egito, onde foram obrigados a declarar todos os seus bens doados ao estado, 80.000; hoje 100. Mas as tendenciosas Nações Unidas (ONU) nada levam em consideração nas suas propostas de paz para o Oriente Médio.

O papa João XXIII, em célebre encíclica, destacada por Werner Keller em sua História do Povo Judeu, veio pedir perdão ao povo judeu pelas calúnias e perseguições contra ele lançadas pela Igreja Católica Romana e a sua máquina inquisitorial. Tamanha a responsabilidade histórica que o humilde Cardeal Angelo Roncalli, ao contrário do esquivo papa Pio XII, imputava à própria Igreja Romana. Portanto, se não tem admitir a Inquisição e o Holocausto como processos isolados. Mas, como processo único a desautorizar moralmente o papa Pio XII a condenar a "Solução Final" nazista.

É fácil de entender toda esta exaltação da memória do Holocausto. Notadamente, em razão e fato do iminente acirramento político ideológico tocado a peito pela criminosa Ditadura Teocrática do Irã; já formando eixo com a Venezuela sob a ditadura militar do pernicioso coronel Hugo Chávez. No Brasil, com a nomenclatura da Ditadura da Desfaçatez Eleitoral conduzida, a toque de caixa, pelos mensaleiros do presidente Lula e o seu gabinete bolivariano sob o tacão da terrorista e ex-militante Dilma Rousseff e seus asseclas: Paulo Vanuchi e Marco Aurélio Garcia. A impor uma retrógrada política externa terceiro-mundista ao Itamaraty.

Aliás, as cínicas declarações da toda poderosa eminência parda Zé Dirceu, articulador dos desmandos da Petrobras e estafeta do coronel Chávez junto ao Planalto, quando dos protestos contra a recepção ao títere da criminosa ditadura teocrática do Irã, no sentido em que se teria mais motivos para não receber Shimon Pérez do que ao famigerado Mahmoud Ahmadinejad, eleito por fraude e assassinatos, faz evidente a guinada que tomará o Brasil numa eventual vitória de Dilma Rousseff. Melhor seria, portanto, o debochado Zé Dirceu esclarecer o covarde trucidamento do prefeito Celso Daniel.

Posto isto, do modo em que se estão dando,presta desserviço à causa judaica e à causa democrática estas celebrações do Holocausto no absoluto descaso da situação presente de judeus e cristãos nos países muçulmanos sob o vil estatuto do Dihmi, consagrado pela Shariah, isto é, a lei islâmica: que impõe a segregação social destas comunidades e os seus confinamentos em setores urbanos exclusivos. Bem como a proibição do livre culto religioso. Mais: a proibição da leitura tanto do texto bíblico, como do texto evangélico, em língua árabe ou nacional iraniana. Contudo, se não sabe de qualquer protesto, efetivo e objetivo, do atual papa Bento XVI contra esta ordem de coisas. Quem, aliás, quer canonizar o papa Pio XII, mesmo contra a verdade histórica. No meu "blog", endereço no "caput" deste artigo, tem mais, muito mais!

O menino de Massangana

Sonia Sales // Da Academia Carioca de Letras
ss.sales@uol.com.br

Cem anos sem Joaquim Nabuco, o herói da Abolição da escravatura no Brasil! A 17 de janeiro de 1910, vai-se o grande brasileiro, morto como embaixador em Washington. Com honras militares, dentro de um esquife de bronze, Nabuco é levado para a Igreja de Rhode Island para as últimas despedidas. Nas exéquias estão presentes além do presidente Taft, embaixadores, ministros, militares e gente da sociedade, para honrarem aquele que com tanta dignidade representou o Brasil. O corpo embalsamado volta ao país no navio de Guerra norte-americano, "North Caroline", que o traz para o Rio de Janeiro. O povo já está nas ruas para recebê-lo. É conduzido para o Palácio Monroe, onde os estandartes abolicionistas estão estendidos em sua homenagem. Depois de 4 dias, o corpo viaja para o Recife, sua terra tão amada; os seus concidadãos o esperam agrupados em todos os cantos da cidade, mas o grande orador está calado, não mais se ouvirá a sua voz vibrante. É conduzido enfim para o Cemitério de Santo Amaro. A cidade para, o povo chora. Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo, com um metro e oitenta e seis, porte atlético, muito claro, nariz afilado, mais parecia um europeu. Considerado o mais belo homem do Império e o mais galante embaixador da República, nasceu em 19 de Agosto de 1849. Seu pai, José Thomaz Nabuco de Araújo, era um dos mais eminentes estadistas da sua época: deputado, senador, presidente de Província e principalmente defensor das causas nobres; sua mãe D. Ana Benigna pertencia à ilustre família pernambucana descendente do Morgado do Cabo.

Joaquim Nabuco nasceu no Recife e foi batizado no Engenho Massangana, recebendo o nome do padrinho, como era uso na época. Tendo o pai que assumir a cadeira de deputado para a qual fora eleito e transferir-se para o Rio de Janeiro, numa longa e perigosa viagem de barco, preferiu deixá-lo aos cuidados de seu padrinho e de sua mulher D. Ana Rosa. O casal sem filhos tomou-se de amores pelo menino. Quinquim como o chamavam, passou a morar com os padrinhos e lá envolto no amor de seus pais adotivos, formou o caráter e teve os primeiros contatos com a escravatura. Cresceu livre apegado à natureza e os primeiros companheiros de folguedos eram filhos de escravos. Sua verdadeira mãe, da qual sempre se lembraria com amor e gratidão, foi D. Ana Rosa. - Das recordações da minha infância a que eclipsa todas as outras é o amor que tive por aquela que me criou como filho, minha madrinha" - assim escreve Nabuco em seu livro - Minha Formação.

Aos oito anos, com a morte de sua madrinha, foi levado para a casa dos pais no Rio de Janeiro, e lá estudou, no Colégio Pedro II, tendo como mestre o Barão bávaro Herman Tautphoeus. Em seguida vai para a Faculdade de Direito em São Paulo, onde se distingue como orador, mas no quarto ano transfere-se para o Recife, então terceira cidade do Brasil, maior que São Paulo com mais de cem mil habitantes, onde conclui o curso. Em 28 de Novembro de 1870, forma-se em Ciências Sociais e Jurídicas. Volta ao Engenho Massangana, para visitar a capelinha de São Mateus onde D. Ana Rosa estava sepultada e lá rezando chora abrindo a alma para aquela que considerava sua mãe. Dirige-se até ao cercado, local da sepultura dos escravos e recorda-se de cada um deles, seus rostos, seus nomes, sua humildade e naquele momento de solidão e saudade, com a lembrança daqueles que tanto o amaram, o drama da escravidão reflete-se em sua mente, fazendo com que o seu infortúnio e sofrimento, se desenhasse definitivamente em seu espírito, e ali, em sua Massangana, faz o juramento solene que os libertaria. Assim o fez, renunciando a tudo o que pudesse afastá-lo da causa. Lutou contra todos os obstáculos, até conseguir realizar o maior dos seus sonhos: a promulgação da Lei nº 3353, de 13 de maio de 1888. A Lei Áurea. Está extinta a escravidão no Brasil!

Do doce mariola às baterias Moura

Antonio Barbosa // Conselho e Diretoria Regional do Sesi-PE
antonio.barbosa@pe.sesi.org.br

Muito feliz a metáfora escolhida por Edson Viana Moura, presidente do Conselho Administrativo da Baterias Moura, para homenagear o seu pai no primeiro aniversário de sua morte (15.01.09), com o artigo "Edson Mororó Moura - Sonhos e realizações" (Diario de Pernambuco, 16.01.10). Partindo do que ele chama de "grande mural da realização humana", no qual é delimitado o espaço que cabe a Edson Mororó: "neste painel, nesta enorme pintura que conta uma história que liga dois tempos muito diferentes e lugares ainda mais". Para nós outros que de alguma forma fizemos parte do universo de Mororó, sentimo-nos felizes não só por sabermos que os sonhos e as realizações dele estão sendo preservados, e que, segundo Edson Viana, "continuam crescendo e com olhos no futuro, pensando no carro elétrico e coisas assim".

Mororó foi um vencedor. Em um país cuja taxa de mortalidade das empresas é alta, ele conseguiu - numa das áreas mais difíceis de transformação industrial, das mais avançadas tecnologias e de acirrada competição mundial - fundar (1957) e desenvolver uma indústria de baterias na pequena cidade de Belo Jardim, e ousadamente, vendê-las para o mundo onde foram inventadas. Mas, nem tudo foram flores na trajetória da fábrica da Baterias Moura. Em duas ocasiões quase fecha. O pioneirismo, a ousadia e a obstinação de Mororó vieram do DNA de sua formação matuta, teimosa e desconfiada, como tão bem descreveu Euclides da Cunha em Os Sertões, celebrizando a frase "O sertanejo é antes de tudo um forte". Mororó era forte e cresceu graças a essas e outras qualidades. Ele não se dobrava diante das dificuldades e não dava tempo para o tempo se recompor, ia em frente, varava o próprio tempo. Fátima Quintas assim o definiu: "De inteligência aguda, temperamento inquieto, olhos miúdos e absolutamente perscrutadores".

Pelos idos de 2005, Mororó procurou-me na Fiepe no sentido de que fosse feito um estudo de viabilidade econômica da rapadura para finsde exportação. Paulo Gustavo Cunha, presidente do Centro Internacional de Negócios - CIN, elaborou o estudo. Id., também com relação a utilização do sorgo em farinhas panificáveis. Era assim o Mororó, um cavucador de negócios. Às vezes permitia-se a brincadeiras, como por exemplo, quando o comparávamos a Henry Ford, a Mauá e, mais nordestinamente e contemporaneamente, com Delmiro Gouveia, e com o seu colega engenheiro químico e de trajetória parecida, Delino de Souza (Iquine), dentre outros pioneiros-industriais-idealistas, que souberam tão bem traduzir à máxima smithiana do individualismo produtor de riquezas e disseminador de empregos.

Lembrar Edson Mororó Moura (1930-2009) é dever nosso. Aliás, ele não está ausente. Tocando a sua grande ideia, além dos filhos e dos colaboradores fiéis, vamos encontrar Dona Conceição, sua esposa, engenheira química, cuja participação foi fundamental para o sucesso do Grupo Moura. Ela, como disse Edson Viana, "atuou no refino de muitas (...) interferências (...), expandindoraios de Belo Jardim pelo mundo afora".

Uma grande brasileira

Henrique Dias Cintra // Servidor público aposentado
hdcintra@gmail.com

O que é que política tem a ver com coragem e honradez? Talvez, não no Brasil. Toda vez que leio ou ouço alguém dizer que o governo Lula apenas seguiu as diretrizes já estabelecidas no governo de Fernando Henrique Cardoso, esse sim, teria sido um grande governante, me lembro do adversário republicano de Obama, John McCain, e do então presidente americano George W. Bush. McCain era o candidato republicano e assim que foi consagrada a nomeação de sua candidatura, foi correndo à Casa Branca se encontrar com Bush, deu-lhe um abraço, e, justamente com Bush, comunicou à Nação que os dois estavam juntos na batalha pela presidência que se avizinhava. Naquele dia, o presidente Bush tinha apenas 27% de aprovação nas pesquisas de opinião. Já, aqui no Brasil, a coisa é bem diferente: o candidato do presidente FHC em 2002, que, inclusive, havia sido seu ministro de Estado, o atual governador de São Paulo, José Serra, em nenhuma oportunidade, na campanha, deixou-se, sequer, ser fotografado ao lado do então presidente, imagine ir ao Palácio celebrar a indicação! O mesmo comportamento teve o candidato do partido de FHC em 2006, Geraldo Alckmim, em relação ao, então, ex-presidente da república. Isso tudo, se dizia, na época, era porque FHC tinha saído do governo com cerca de 30% de apoio popular, o mesmo de Bush! Por aí, já se ver a diferença de atitude. Agora, de quando em quando, vemos os partidários desses candidatos, virem a público declararem loas ao grande governante que teria sido FHC.

Sendo, inclusive, Lula, eterno devedor dessa grandeza! Poupem-me! Independentemente do que eu ache do governo de FHC, isso tudo me leva a acreditar que os próprios partidários desse presidente sentem, no mínimo, vergonha de seu governo. É como se FHC tivesse feito muita coisa de errado. E a coragem e honradez, onde está nisso tudo? Está na cabeleireira assassinada pelo ex-marido no estado de Minas Gerais, semana passada. Ali, se viu a atitude de uma grande mulher.

Conhecedora do ex-marido, este último com uma arma na mão, em momento algum se intimidou, ao contrário, era como se ela perguntasse: "o que você quer? Quer me matar, mate, mas nunca irá me ter de volta".

Encarou a morte de frente, sem pedir clemência ou perdão para sobreviver. E não o fez porque tinha convicção de está com a razão, tinha orgulho de suas atitudes na vida, principalmente em relação ao ex-marido. Essa, sim, uma grande brasileira.


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Edição de sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010 
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