O"lar doce lar" pode ficar mais perto de muita gente. Isso porque o governo federal está estudando a ampliação da faixa de renda que regula os possíveis beneficiários do programa Minha casa, minha vida.
 Apenas 3.750 das 44.706 unidades do estado já foram contratadas. Foto: Alexandre Gondim/DP/D. A Press - 13/5/09 |
A mudança teria relação direta com o aumento do salário mínimo, de R$ 465 para R$ 510, no início deste ano. Além de abranger mais famílias, ela facilitaria o financiamento da moradia por parte das classes de renda mais baixas.
O Minha casa, minha vida trabalha com três faixas de renda familiar: de zero a três, de três a seis e de sete a dez salários mínimos. Com a entrada do novo valor do mínimo em 1º de janeiro, surgiu o debate em torno da ampliação correspondente no critério de abrangência do programa. A ideia é que, agora, os benefícios contemplem quem recebe até R$ 5.100 por mês, e não mais R$ 4.650, como ocorre atualmente.
Para o presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE), Marcello Gomes, aelevação na faixa de renda é uma atitude correta, que coincide com a linha do programa. "Se a ideia é beneficiar famílias que recebem até dez salários mínimos, é preciso dar a chance para que algumas pessoas que passaram a ganhar mais neste ano continuem usufruindo do Minha casa, minha vida", argumenta.
Gomes acredita que o Minha casa só começou, de fato, na metade de 2009 e exigiu, ainda, algum tempo de aprendizado. Por isso, enxerga os próximos seis meses como o momento de avançar com o programa. "Penso que a meta de 44 mil casas construídas em Pernambuco pode ser alcançada. É possível, pelo menos, que todos os contratos sejam firmados, mesmo que a conclusão de algumas obras fiquem para 2011 e 2012."
O diretor da ACLF Empreendimentos, Avelar Loureiro, é um dos empresários pernambucanos que resolveram aderir ao programa federal. Para ele, a alteração nas faixas pode ser um complemento interessante ao aumento do salário mínimo, medida que considera mais importante, por elevar o poder aquisitivo da população. Segundo Loureiro, a possibilidade de o Minha casa, minha vida atender a famílias com renda de até R$ 5.100 tem mais relevância, na verdade, para as classes mais baixas. "As vantagens do programa não são tão grandes para quem recebe a partir de R$ 4.500. Nesses casos, não há muita diferença em relação ao uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e da Carta de Crédito SBPE", avalia.
Loureiro destaca que a ampliação nas faixas de renda pode incluir muita gente no grupo de zero a três salários mínimos. Essas pessoas seriam beneficiadas com a concessão de subsídios maiores para a compra da casa própria. Exemplo: hoje, uma família que recebe R$ 1.530 (mais de três salários de R$ 465) por mês pode adquirir o imóvel com subsídio de, aproximadamente, R$ 10 mil. Com a mudança, esse valor subiria para R$ 17 mil, o que significa menos gastos para financiar a residência.