Um dos fundadores do Teatro de Cultura Popular (TCP), dentro do Movimento de Cultura Popular (MCP), extinto pela ditadura militar, Joacir Castro também será homenageado pelo Janeiro de Grandes Espetáculos. Reconhecido como uma pessoa que "carrega o teatro no sangue", Joacir Castro integrou o elenco do Teatro Popular do Nordeste (TPN), participando de peças memoráveis como O inspetor, O cabo fanfarrão (ambas em 1966), O santo inquérito e Antígona (as duas últimas em 1967).
Ele foi perseguido durante a ditadura militar e chegou a perder o emprego, sendo reintegrado após a anistia. Hoje, mora em Itamaracá, onde construiu e mantém um teatro ao ar livre, no qual faz peças para a comunidade. "Fizemos bastante trabalho de rua e de arte-educação, num projeto chamado Teatro Integrado na Escola, que envolvia professores, pais e alunos, através de cartilhas teatralizadas", recorda Ivonete Melo, atriz e presidente do Sindicato dos Artistas de Pernambuco (Sated-PE). "Ele também gostava de se utilizar do boi, como cenário,para chamar a comunidade para ver os espetáculos", acrescenta Ivonete, lembrando que, ao lado de Joacir, fez peças em feiras livres, em cima de caminhonetes, em praças de comunidades.
Em abril de 2009, no lançamento do Grupos Reunidos de Investigação Teatral ou Movimento GRITE, Joacir Castro foi convidado para participar de uma palestra, junto a Romildo Moreira e José Manoel, sobre a importância do teatro de grupo na cena pernambucana. "Joacir é uma pessoa maravilhosa, superinteligente, fez muito teatro no Sudeste, em universidades. Podemos considerá-lo um revolucionário, pois sempre esteve em defesa do social, enxergando as classes menos favorecidas", observa Ivonete Melo.