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Mais de 1,5 milhão faltam ao Enem
Educação // Inep anunciou abstenção recorde na história do exame apenas com o número de faltosos do sábado


Neste ano, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) teve o maior índice de abstenção de sua história. Ontem, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) confirmou o que já se esperava: mais de 1, 5 milhão de feras faltaram às provas do sábado. Número que representa 37,7% dos 4.147.527 inscritos. Bem superior à média de abstenção dos anos anteriores, que oscilava entre 25% e 30%. O índice de abstenção de ontem não foi divulgado pelo Inep, mas só os faltosos do sábado já foram suficientes para firmar o recorde. A notícia preliminar que se tem é de que 2,9% dos inscritos que realizaram a prova no sábado não compareceram no segundo dia. O Inep não divulgou o índice de faltosos de Pernambuco.


Na Universidade Católica de Pernambuco, um dos pontos com maior concentração de feras, candidata entra de capacete para não perder a prova. Mesmo com a correria de muitos, ninguém chegou após o fechamento dos portões. Foto: Juliana Colares/DP/D.A Press
São Paulo teve a maior abstenção, com 49,9%. O estado concentra mais de 1 milhão de estudantes. Muitos desistiram de fazer o Enem porque, após o adiamento da prova provocado pelo vazamento ocorrido no início de outubro, instituições como a USP, a Unicamp, a PUC e a FGV desistiram de usar anota do exame.

A justificativa dada pelo Inep para um índice de abstenção tão expressivo foi a distância de quase cinco meses entre as provas e o período de inscrições e a ocorrência de chuvas em várias partes do país. Não foi citado, no entanto, o horário de verão que confundiu muitos feras em estados como Pernambuco, que não adiantaram os relógios em uma hora. No cartão de confirmação de inscrição, a prova estava marcada para as 13h, horário de Brasília. Detalhe que passou em branco para muitos estudantes, que acabaram dando de cara com o portão fechado no primeiro dia. Em Pernambuco, 208.549 se inscreveram para prestar o Enem.

Ontem, a quantidade de feras atrasados foi bem menor. Nos blocos A, B, D e G da Universidade Católica de Pernambuco, um dos pontos com maior concentração de inscritos, ninguém chegou após o fechamento dos portões. Na Universo, que fica no bairro da Imbiribeira, no Recife, duas pessoas perderam o exame.

Provas - A prova de ontem do Enem teve uma questão anulada. Foi um quesito delinguagens, códigos e suas tecnologias - nas provas amarela, azul e rosa é a questão 101, já na prova cinza é a 102. No primeiro dia, não houve anulações. Mas professores de colégios pernambucanos contestaram o gabarito de alguns quesitos. O coordenador de vestibulares do Motivo, Sérgio Ribeiro, disse que enviará na manhã de hoje uma carta registrada com aviso de recebimento ao Inep, comunicando as contestações. Entre elas, cinco questões do primeiro dia de provas, sendo três de ciências da natureza e duas de ciências humanas. Os professores apontaram erro de gabarito, por exemplo, nos quesitos sobre diabetes e vacina contra o vírus HIV. O Colégio Boa Viagem dará parecer hoje sobre possíveis contestações.

Candidato a uma vaga de engenharia civil da UFPE, André Burgos, 18, não fez a redação, mas achou o restante da prova muito cansativo e se queixou do esgotamento provocado pelas longas horas sentado em dois dias seguidos de provas. Para ele, ontem, a prova de matemática foi a mais difícil. Candidato a administração na UFPE e a economia na UFRPE, Álvaro da Silva, 17, também achou a prova cansativa. Ele gostou do tema da redação, que versou sobre ética, achou linguagem fácil mas encontrou obstáculos nos cálculos.

Professor de matemática do colégio Motivo, Tiago Guimarães reforçou a crítica dos alunos. Segundo ele, a prova foi extremamente trabalhosa e muito extensa. "Havia enunciados longos e alguns de difícil compreensão. Não foi boa para medir o nível de conhecimento do estudante", disse. Os professores também criticaram a prova de linguagem. Cleonice Rabelo, que ensina a disciplina de português, achou a prova anulada em outubro mais acessível e disse que o exame de ontem exigiu do aluno um amplo conhecimento de mundo. "Essa prova foi mais complexa e dava cansaço para responder porque tinha muito texto, alguns longos", avaliou. Já a redação agradou alunos e mestres. "Foi um tema esperado e deu possibilidade aos alunos de refletir", disse Auxiliadora Paes, que ensina redação no Colégio Boa Viagem. Às 19h de ontem (horário local), o Inep divulgou os gabaritos das provas, mas retirou-os por volta das 21h30, alegando "inconsistência nos gabaritos dos diferentes modelos de prova publicados".


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Edição de segunda-feira, 7 de dezembro de 2009 
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