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Anjos da guarda da saúde
Eles estão lá, sempre presentes, e devem amar cuidar do próximo. Assim são os enfermeiros, profissionais cada dia mais valorizados, com campo de trabalho promissor no estado e possibilidades de ganho bem atrativas
Juliana Godoy
julianagodoy.pe@dabr.com.br


Cuidar do ser humano exige dedicação intensa. Por isso, se o curso de enfermagem está nos seus planos, prepare-se para enfrentar quatro anos de muitos estudos. É que como na medicina, o enfermeiro precisa conhecer bem todo o corpo humano e ainda ser capaz de realizar várias tarefas quase que ao mesmo tempo. Mas não se engane. Ser enfermeiro não é o mesmo que ser médico. Apesar das profissões serem parecidas, elas apenas se completam. Na prática, são bem diferentes.


Adriana Caldas é aluna do 8º período e diz que o campo exige preparação. Foto: Inês Campelo/DP/D.A Press
"Apesar delas convergirem para o mesmo fim - a cura dos pacientes - os caminhos são diferentes. Enquanto o médico faz uma cirurgia, o enfermeiro fica responsável por preparar o doente. São ações que se complementam", explica Maria da Penha de Sá, coordenadora de enfermagem na Universidade Federal de Pernambuco. Depois de compreender essa diferenciação, o aluno que quer enfermagem precisa se preparar para enfrentar o dia a dia de um hospital. Ele pode optar pelo curso técnico ou a graduação. A diferença está na profundidade que os assuntos são vistos e na realização das tarefas de cada um. O enfermeiro graduado fica responsável por gerenciar as unidades, enquanto o técnico executa grande parte das tarefas. "Mas todos têm como objetivo o cuidar. E fazem isso nas diversas fases da vida dos indivíduos", afirma Maria da Penha. "Eles fazem ações de promoção, proteção, recuperação e reabilitação da saúde", complementa Eliane Fidelis, supervisora pedagógica da área de saúde do Senac-PE.

Adriana Caldas, 39 anos, aluna do 8º período da Faculdade Pernambucana de Saúde (antiga FBV-Imip), sabe bem da importância do gostar do outro para encarar a profissão. "O campo de trabalho só é bom para quem está preparado e para quem trabalha com amor", afirma Adriana, que já tem o curso técnico de enfermagem. "Enfermagem sempre foi o meu sonho profissional. Até tentei fazer psicologia, mas não era aquilo que queria. E quando larguei a faculdade e fui para o técnico, já tinha em mente que faria o superior quando tivesse oportunidade",conta a enfermeira. "Passei em um concurso como técnica para poder custear a minha faculdade", acrescenta ela. História diferente da de Gilberto dos Santos, 40 anos, estudante do 3º módulo do curso técnico. Ele trabalhava na área administrativa e dedicidiu mudar de rumo. "Era um campo muito pequeno e a enfermagem dá mais oportunidades, tem mais mercado", acredita.

Mas se assim como Adriana você também pensa na graduação de enfermagem é bom saber que terá pela frente quatro anos de dedicação intensa. "O curso é dividido em duas partes. Tem o ciclo básico, que dá toda a base, e depois vem as específicas", explica Maria da Penha. No primeiro momento as principais disciplinas são voltadas para o conhecimento do corpo humano. Entre elas estão anatomia, genética, farmacologia. "É muito importante que o enfermeiro entenda quais são os efeitos das drogas no corpo do paciente", alerta a coordenadora. Depois disso é que entram as cadeiras voltadas especificamente para a enfermagem. "Aí é enfermagem clínica, saúde da criança e do adolescente, do idoso, auditoria. Assim como na medicina, a enfermagem tem suas especialidades", diz Maria da Penha. "Tem que ter vontade de aprender e disposição para estudar. O aluno não pode achar que é só o saber fazer. Ele precisa entender a profissão e ter disponibilidade para se atualizar", completa Penha.

Já o técnico tem dois anos de duração e é dividido em três módulos. "Eles primeiro terão uma noção da área de saúde para se situar", explica Eliane. Depois disso é que começam na parte mais temática em enfermagem. "É aí que entra UTI e emergência, humanização, pacientes em estado grave, idosos", complementa. Mas para ela é preciso haver identificação com a área para entrar no curso. "Exige muita renúncia, então é preciso envolvimento, identificação. Não pode fazer só por achar que vai entrar fácil no mercado de trabalho", alerta Fidelis.


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Edição de segunda-feira, 30 de novembro de 2009 
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