Os pais de Emerson Garrett, 38, investiram em telefone. O negócio dele é outro. O mercado de ações faz parte da vida do engenheiro civil há um ano. Antes, investimento para ele significava apenas poupança.
 Emerson procurou ler bastante antes de partir para o mercado de ações. Mas não fez loucuras. A meta é ser financeiramente independente. Foto: Inês Campelo/DP/D.A Press |
Tudo mudou. Até a percepção do trabalho. "Normalmente trabalhamos para pagar as contas. A pessoa tem que conseguir um dia trabalhar só pelo prazer. Quem investe de forma correta consegue". O planejamento traçado por Emerson é tornar-se independente financeiramente dentro de cinco anos.
Atualmente existem quase 600 mil investidores individuais na Bolsa de Valores. Número que vem crescendo e arrebanha homens e mulheres, jovens e nem tão jovens assim. "Os jovens se voltaram muito para o mercado de ações. Mas temos investidores de todas as idades em nosso fundo. Pelo menos 50% têm entre 30 e 50 anos", diz Aristides Cavalcanti, da Finacap. Ele aponta o aumento do interesse também das mulheres (34% dos investidores do Fundo Finacap). Isso ajuda a desmistificar um pouco a ideia de que elas são mais conservadoras que os homens na hora de investir.
O engenheiro Emerson conta que, antes de começar na Bolsa, estudou bastante o mercado de ações. Passou a comprar livros. Depois escolheu uma corretora. Começou com R$ 700, diretamente via home broker (pela internet). "No começo há uma ansiedade, mas com três meses já estava acostumado. Eu já tive algumas perdas, mas os ganhos foram maiores", diz Emerson, que hoje já aplica quantias maiores. Mas não abandonou totalmente um lado conservador. Não faz loucuras.
A reserva para gastos no curto prazo segue na poupança. O engenheiro comprou o primeiro apartamento na planta e pretende quitá-lo quando receber as chaves. "Hoje eu pago o aluguel e a prestação. Quando for morar no meu, vou dar entrada em outro. A despesa vai permanecer a mesma, mas estarei adquirindo o segundo imóvel. Como em qualquer outra coisa, tem que pesquisar muito antes", ressalta Emerson. Essa percepção é defendida por gente da área, incluindo o consultor Humberto Veiga. Para se sair bem, vale até questionar o gerente do banco, sem maiores pudores.
Uma característica da velha geração de investidores é a de confiar quase que cegamente na palavra do gerente na hora de aplicar. Atitude condenada por Veiga. "Ele pode ser gente boa pra caramba. Mas o problema é que existe um conflito de interesses. Afinal, o gerente é empregado da instituição financeira", lembra o consultor. Se o investidor não tem plena consciência disso, destaca Veiga, terá grande chance de perder dinheiro. Ou de deixar de ganhar. O que, em última instância, acaba dando no mesmo.