Recife frio causou reação imediata e muitos aplausos. ..
Aquilo que ocorreu na sessão é muito raro pela intensidade e pela emotividade. Levei três horas para me recompor. As pessoas mostraram para mim, Emilie (Lesclaux, produção e montagem), Juliano (Dornelles, produção e direção de arte), Simone e Andrés (Shaffer) que há uma beleza emotiva no filme. A surpresa é ver que essa beleza chega forte em muitos.
Recife frio faz comédia com valores arraigados da cultura recifense. Você acredita que pessoas podem se ofender?
A maneira como o Recife vem sendo tocado do ponto de vista urbanístico precisa ser questionado, e uma boa saída para ilustrar questões como essa é usando a força implacável do cinema. Recife frio é um lamento de amor sobre a cidade, e esse lamento, claro, tem dor. O filme junta-se a filmes atuais do cinema pernambucano que estão exatamente abordando essa questão, como Menino aranha, de Mariana Lacerda, Eiffel, de Luiz Joaquim e Um lugar ao sol, de Gabriel Mascaro. Não vejo como algumas pessoas individualmente poderiam se sentir ofendidas. Recife frio é um olhar pessoal sobre a minha cidade.
Como surgiu a ideia de inserir Lia de Itamará no filme como algo positivo?
Lia é uma mulher linda. Seu rosto é especial e a câmera a adora. Filmar Lia bem era uma obrigação minha. Fico feliz que o tom de rainha que ela tem esteja no filme. Ela é cativante e sua presença emocionante. Para completar, sua música é bela, e a letra promove uma sensação de generosidade ampla.