Ambientes claustrofóbicos e escuros. Salas, quartos, janelas e corredores que não revelam o ambiente que compõem. Esses cenários isolados e quase impenetráveis foram escolhidos por Bete Gouveia para as experimentações técnicas que propõe na exposição ClaroEscuro, resultado de uma pesquisa de mais de um ano acerca do uso de tintas fosforescentes e luminescentes. "A minha primeira ideia partiu das placas de trânsito na estrada. Quando o farol bate, todo o conteúde acende. Daí fui atrás de como aplicar essa técnica no meu trabalho" explicou a artista, que anteriormente já fez experimento em tintas, através da diluição de areia monazítica e confecção manual da tinta. "Eu gosto de procurar coisas novas, pesquisar, dominar coisas que não conheço, é instigante", comentou ela, que além de pesquisadora é professora do curso de Artes Plásticas da Universidade Federal de Pernambuco há 12 anos.
Em ClaroEscuro, nem tudo que se vê é tudo o que o quadro pode oferecer. Envoltos em uma escuridão que na maioria das vezes preenche toda a tela, objetos retratados em cores neon como rosa, verde e amerelo, escondem luminosidades que só podem ser vistas na escuridão total. Um pouco da luz que passa pela janela pode revelar o horário do mundo lá fora e a luz, que entra pela fresta de uma porta, desperta uma curiosidade do que se esconde por trás que o isolamento imposto ao homem contemporâneo não deixa transparecer.
Na abertura da exposição, hoje, às 19h, na Galeria Dumaresq, a cada meia hora vai ser promovido um balck-out para que as obras possam ser vista em sua outra forma. Essa vai ser a única vez que o público vai poder conferir a parte "escura" da exposição, ja que o horário da galeria, onde a mostra fica até o dia 18 de dezembro, é das 9h às 18h, impossibilitando a visualização sem a interferência da claridade externa. Em contrapartida, os pigmentos fosforescentes são acentuados com a presença de luz forte atuando diretamente sobre a pintura. Algumas das obras contêm a presença das duas técnicas.
Dentre os 30 trabalhos expostos, quatro são abstratos, como O beijo, referência da artista ao quadro homônimo de Gustav Klimt. Uma das obras, vistas na luz, mostra somente duas telas em branco colocadas lado a lado. "Eu saí um pouco dos ambientes intimistas e apliquei a técnica com a liberdade da abstração, não quis me prender à um assunto só" avaliou a artista. Informações: 3341-0129.