Jerusalém - Após a passagem das comemorações dos 20 anos da queda do muro de Berlim, os palestinos lançaram a campanha "Unidos Contra o Apartheid" com a esperança de que a barreira construída por Israel na Cisjordânia também caia por terra. "O mundo não pode aceitar no século 21 que Israel construa um muro do apartheid três vezes maior que o de Berlim e duas vezes mais alto", afirma Jamal Juma, da organização não-governamental "Contra o Muro".
Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), Israel já completou cerca de 400 dos 710 quilômetros previstos da divisória, dos quais 85% serão erguidos dentro do território cisjordaniano e só 15% na Linha Verde, a fronteira imaginária aceita internacionalmente após a primeira guerra árabe-israelense de 1948-1949. A construção do muro contraria sentença não vinculativa da Corte Internacional de Justiça, que em 2004 declarou a barreira ilegal.
"O muro já deixou 97 comunidades palestinas completamente isoladas: rodeadas pelos três flancos pelo muro, colônia judias e as estradas do apartheid (pelas quais só podem circular veículos com placas israelenses)", explica Juma. Além disso, a barreira isola Jerusalém Oriental da Cisjordânia, o que "deixa 360 mil palestinos desligados de seu povo e rodeados por um muro de 181 quilômetros. Isto impedirá qualquer acordo para a criação de um Estado palestino".
Essa situação também deixa a Cisjordânia sem recursos hídricos e sem suas principais terras agrícolas, como o vale do Jordão, desliga as comunidades e, ainda, dificulta o acesso às escolas, universidades e inclusive aos hospitais.
Israel começou em 2002, durante a Segunda Intifada, a levantar o que denomina "a cerca de segurança", que na maior parte de seu traçado é de alambrado, mas quando passa por núcleos urbanos se transforma em um paredão de concreto de oito metros de altura. O Exército israelense considera que esta construção é imprescindível para garantir a segurança e impedir a entrada em seu território de terroristas palestinos e argumenta que desde que existe o número de atentados em seu território diminuiu drasticamente.
Desde o início de novembro, a entidade vem realizando atos simultâneos para lembrar ao mundo que o território da Cisjordânia está marcado por uma cicatriz de ferro, arame e concreto que divide e fragmenta as terras palestinas, separando seus habitantes e, em alguns casos, impedindo sua passagem. Os atos iniciaram no dia 9, quando um grupo de ativistas colocou uma barreira de plástico na localidade de Bilin, palco de protestos semanais contra o muro, na qual se lia: "Berlim, 1989. Palestina?". O parapeito foi desmanchado pelos soldados israelenses, que quase todas as sextas-feiras entram em confronto com manifestantes em Bilin utilizando gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e balas de aço recobertas de borracha.
Na última quinta-feira, ativistas locais e internacionais colocaram abaixo uma pequena réplica do muro alemão no povoado próximo a Belém, e fizeram uma chamada à comunidade internacional para que abrace a campanha que promove o boicote e sanções a Israel até que o país destrua a barreira.