Familiares e amigos estiveram no Cemitério Morada da Paz para dar o último adeus a jovem vítima de leucemia
"Aline se foi, mas seu legado vai ficar para sempre". Assim definiu um dos amigos da garota que conseguiu mobilizar milhares de pessoas em favor da vida. Imagens: André Albuquerque/DP/D.A Press
Da entrada do Morada da Paz via-se que algo incomum acontecia. Não havia mais vaga para estacionar dentro do cemitério e a rua estava lotada de carros dos dois lados da calçada. Ao entrar no local, outra movimentação diferente. Um público formado em sua maioria por jovens e adolescentes, que choravam copiosamente. Era o enterro de Aline Coelho, 18 anos. Uma jovem que mudou a vida das pessoas presentes e deixou como legado a luta e a vontade de viver. Ela passou mais de um ano tentando se curar da leucemia.
O sepultamento aconteceu por volta das 16h30. Os pais de Aline, Miguel Coelho e Maria da Conceição, e o irmão Arthur Henrique foram seguidos por familiares e amigos da adolescente. Muito abalada, Maria da conceição passou mal e não viu o sepultamento. O pai e o irmão de Aline acompanharam o funeral até o fim. "Não sei como agradecer a todos que vieram. Não imaginava que teria tanta gente. Isso é sinal de que ela era mesmo muito querida", disse o pai da adolescente. Ele estava muito emocionado e falou pouco. Agradeceu também à cobertura feita pelo Diario sobre a história da sua filha. "Vocês contribuíram muito e ajudaram também, indiretamente, a outras pessoas. Obrigado", disse.
A tia de Aline, Vitória Coelho, também falou sobre a importância do apoio da imprensa e dos amigos. "A história da minha sobrinha teve um grande alcance. Muita gente foi tocada pelo seu exemplo. Aline deixa uma grande lição a todos: ter amor à vida e a agir com solidariedade. Que Deus tenha plantado a semente nas pessoas com a trajetória dela", disse. Todos que estavam no enterro partilhavam a mesma opinião.
Diziam que a adolescente era um grande exemplo a ser seguido. A estudante de administração, Milena Maciel, 21, conheceu Aline há menos de um ano, quando ela já estava doente. "Fiquei muito amiga dela. Estive com Aline antes de ela ir à Curitiba. Participei da campanha, convivemos. Aprendi muito. Aline era sempre alto astral, não gostava de se lamentar e dizia para a gente não se preocupar. Tinha muita fé", lembrou. Já Romero Brito,18, é amigo de Aline há mais tempo. Estudou com ela no Colégio Agnes desde a 6ª série. "É muito esquisito estar aqui. Por mais que a doença fosse grave a gente nunca espera que isso aconteça. Principalmente porque Aline tinha certeza que ia se curar. Mas ela mostrou para mim e para todos o quanto é curto o tempo aqui na terra. Devemos buscar a felicidade e só isso", refletiu.
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