Lembranças de Oswaldo Lima Filho
Elias Roma Filho // Jornalista
eliasromafilho@hotmail.comNo dia 11 deste mês a cronologia do tempo assinala 15 anos da morte do ex-deputado, ex-ministro e político que marcou importante passagem nos momentos conturbados advindos com o golpe militar de 1964. Oswaldo Lima Filho foi uma das lideranças mais respeitadas neste país. Pertenceu a uma geração acompanhada de perto por meu pai, com grandes líderes que lutavam pela democratização e liberdades individuais. Entre ele, Miguel Arraes, Gregório Bezerra, Egídio Ferreira Lima, Luiz Pinto Ferreira, Fernando de Vasconcelos Coelho, Roberto Freire, Tancredo Neves, Ulisses Guimarães e tantos outros.
Como muitos que se destacaram na política nacional ele passou pela Faculdade de Direito do Recife, uma das principais trincheiras dos ideais libertários desde os dias de expectativa vivenciados durante o Estado Novo, de 1937 a 1945. Integrou a Ação Integralista Brasileira de 1937 a 1938 e após ser nomeado promotor de justiça na cidade de Surubim, ajudou a criar o Partido Social Democrático (PSD). Em outubro de 1950 elegeu-se deputado estadual. Depois chegou a Câmara dos Deputados já como membro do Partido Social Progressista (PSP). Nos dois próximos mandatos, ingressou oficialmente no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Nascido no dia 26 de abril de 1921, no município do Cabo de Santo Agostinho, esse pernambucano ilustre da política brasileira chegou a ser ministro da Agricultura no governo João Goulart. Mas após o golpe militar deixou o Ministério e retornou à Câmara dos Deputados, para fazer um discurso acusando as Forças Armadas de pretender instalar uma ditadura fascista no país.
Após a instauração do bipartidarismo, em 1965, entrou no Movimento Democrático Brasileiro(MDB), partido de oposição ao regime militar. Com o AI-5 do governo militar teve seus direitos políticos suspensos em janeiro de 1969. Assumiu as funções de conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil no Recife. Após a Anistia assinada pelo general Figueiredo em 1979, recuperou seus direitos políticose com o fim do bipartidarismo filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro(PMDB), conquistando nas urnas um novo mandato na Câmara Federal, em 1982. Estava entre aqueles que votaram a favor da Emenda Dante Oliveira, que propôs o restabelecimento de eleições diretas para presidente da República. Com a Emenda rejeitada, na reunião do Colégio Eleitoral em 1985 votou no candidato oposicionista Tancredo Neves.
Outro momento importante da vida de Oswaldo Lima Filho foi sua presença na Assembleia Nacional Constituinte, onde mesmo obtendo apenas uma suplência, participou das votações referentes à ordem social. Em 1990 começou a escrever seu livro de memórias, publicado um ano depois. Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT), ajudando na elaboração de documento com diretrizes da política do então candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para o Nordeste. Foi condecorado com a Medalha Clóvis Beviláqua, concedida pelo Ministério da Educação e a Ordem da Bandeira da Iugoslávia, entregue pelo governo iugoslavo.
Oswaldo Lima Filho está na galeria dos políticos que demonstraram nos últimos anos, todo empenho pelo fortalecimento da democracia e crescimento do Brasil diante das grandes nações de todo o mundo.
Competitividade brasileira a passos largosPedro Eugênio // Deputado Federal
dep.pedroeugenio@camara.gov.brA melhora da competitividade da economia brasileira em 2009, ano marcado pelos efeitos da crise mundial, é uma realidade bastante animadora para todos os setores. De acordo com o Relatório de Competitividade Global 2009-2010, elaborado pela entidade suíça Fórum Econômico Mundial, o Brasil está na 56ª posição entre 133 países. O país ganhou oito posições em relação ao ano passado, quando ocupava o 64º lugar.
Paralelamente, o Brasil acaba de receber da agência de classificação de risco Moody's a elevação para grau de investimento, passando a ser a primeira nação a ter sua classificação elevada pela agência desde o início da crise financeira global. Em 2008, a Fitch Ratings e a Standard & Poor's já haviam elevado o Brasil grau de investimento. A Moody's, então, passou a ser a terceira agência a conceder essa classificação ao Brasil.
A melhora na competitividade brasileira é atribuída ao setor empresarial, considerado inovador e competitivo devidoao tamanho do seu mercado e à melhora no quesito estabilidade econômica, comparada ao ano anterior. O Relatório de Competitividade Global identificou estagnação na classificação da China e da Índia (ganharam apenas uma posição). Mesmo assim, esses países ainda estão à frente do Brasil - a China na 29ª posição, e a Índia na 49ª.
Todavia, o Brasil permanece numa velocidade excepcional, e deve continuar acelerando mesmo, se quiser alcançar seus concorrentes diretos. Mantidos os ritmos atuais, o país ultrapassará a Índia em quatro anos. Mas ainda levaria uns 15 anos para alcançar a China. Devemos estar atentos para o aperfeiçoamento de nosso setor produtivo, de olho em dois objetivos: manter o padrão de crescimento com distribuição de renda, marca registrada do governo Lula, e aumentar a competitividade de nossa produção.
Propostas como essas foram apresentadas pela Comissão Especial que tratou da crise na indústria, da qual fui relator. Outras sugestões foram a desoneração dos bens de capital, a criação de comissão especial visando a mudanças nos procedimentos legais que entravam os investimentos públicos e o meu projeto de lei (junto com os deputados Berzoine e Vignatti) que cria mecanismos de indução à concorrência bancária focando a redução de juros. Ações como essas, uma vez emplementadas, contribuirão, a um só tempo, para uma formação econômica e social mais justa e dinâmica no Brasil.
Salvando uma vidaCleofas Reis // Jornalista
cleofasdefariasreis@hotmail.comSem ser médico, bombeiro ou policial, posso dizer que já salvei uma vida. Prefiro, entretanto, afirmar que a prorroguei, por entender este termo mais consentâneo com uma ação desse tipo. Rigorosamente, uma vida nunca pode ser salva, a não ser provisoriamente, havendo unanimidade de que um dia inexoravelmente terá fim. Embora haja pessoas, entre as quais não me incluo, acreditando que a vida terrestre, pelo menos dos seres humanos, tem continuação ou desdobramento em lugar especial onde escolhidos reencontram antepassados num paraíso e outros, desgraçados, ardem para sempre em labaredas infernais.
Deixo de lado elucubrações e retomo o fio da meada: a vítima aparentava estar há segundos submersa numa piscina. Foi em Casa Forte, num prédio acabado de construir, quase desabitado porque os futuros e privilegiados donos ultimavam providências de adequar os apartamentos a seus gostos individuais. Não sei o que ocorreu antes, o certo é que a vítima estavalá, imóvel, tendo já engolido água.
Ao me defrontar com a cena, tinha ao lado meu neto Romeu, de apenas três anos e meio, com sua babá. Afastei-os, achando que de nada adiantaria a presença deles para evitar a tragédia. Notei, porém, a surpresa esperançosa que tiveram quando fui socorrer a vítima. Não podia pedir ajuda, nem de empregados do condomínio. O afogamento parecia ter começado naquele mesmo instante e eles se encontravam ocupados em algum andar, o que de início afastava suspeita de terem sido autores do crime.
Sou idoso de carteirinha, mas em certas circunstâncias a gente nem se lembra das limitações físicas. No caso, me facilitava também o esforço de tentar salvar ou de prorrogar (como já argumentei) uma vida porque a acidentada ou suicida não era pesada, embora não tão leve a ponto de ter caído ou se jogado ali e apenas boiar na superfície, ao invés de afundar um pouco, como havia acontecido.
Foi somente me deitar à beira da piscina e puxá-la com rapidez, para evitar que engolisse mais água. Sobos olhares atônitos do neto e da babá, levei-a para um declive do gramado próximo. Coloquei-a em posição que pusesse para fora pelo menos parte do que bebera.
Não emitia qualquer gemido e tinha os olhos fechados, me passando temor de que fora em vão a minha tentativa. Ar de profunda tristeza dominou a mim e minhas duas testemunhas. Aparentemente, havia morrido. Saíamos, desconsolados, para chamar os empregados do edifício.
Antes, quisemos nos certificar do trágico desenlace e olhamos para trás. Para nossa alegria a criatura se movimentou e começou a se mover, ou melhor, a rastejar em direção a uma árvore do jardim, ambiente de suas andanças em busca do calor do sol ou de insetos para se alimentar.
Teve assim um final feliz meu esforço despendido visando prolongar a vida de uma grande lagartixa ou "largatixa" (conforme o vocabulário popular passado ao meu neto e seus colegas infantis), habitante do gramado, muros e árvores do edifício Duílio Cabral de Melo, localizado na Avenida Dezessete de Agosto.
Rei Adbullah: mil e uma noites de insôniaPedro de Albuquerque // Escritor
pedrodealbuquerque@gmail.comNa primeira quinzena de outubro último o rei Adbullah bin Abdulaziz al Saud da Arábia Saudita cumpriu histórica visita à Síria. Notícia da maior importância, para a sociedade brasileira melhor abalizar o seu posicionamento enquanto à desastrosa política internacional sob a batuta do ministro Celso Amorim.
O rei Adbulah foi pedir ao presidente Bashar al Assad que retire o seu apoio aos grupos criminosos extremistas do Hamas e do Hizbolah. Assim como, para que se afaste do Irã. Isto porque, todos os líderes regionais passaram a entender que somente com o desmantelamento dessas duas organizações terroristas e a neutralização do Irã ter-se-á mínima chance de paz para o Oriente Médio. Fora disso, não há paz possível.
Este entendimento passou, no domingo 11 de outubro, a ter o aval do próprio ditador Mahmoud Ahmadinejad. Quem voltou à carga na sua prédica pela destruição de Israel, ao infirmar ser objetivo do povo judeu suplantar as civilizações regionais. Uma evidente figura de retórica do real agressor, ao buscar remover obstáculos à consecução dos seus próprios intentos. Ora, Israel se apresenta como obstáculo único à expansão da suposta revolução islâmica.
Sabem, perfeitamente, todos os líderes da liga árabe, a começar por Hosni Mubarak do Egito, mesmo o ditador da Líbia Muammar Kadhafi, que eliminado Israel, todos os regimes, por assim dizer moderados, tombarão por terra em efeito dominó. Notadamente a Turquia e, assim, ter-se-á restabelecido o Grande Califado de Damasco: o antigo Império Muçulmano. Isto, em direta ameaça à civilização ocidental. Este é o fio do crochê da "burka" que, se puxado, fará despir a hedionda Besta Fera do Apocalipse: o gênio mau dos pesadelos do Rei Adbullah.
Tanto é verdade que, já no dia 13 de outubro p. passado, o presidente da Autoridade nacional Palestina, Mahmoud Abbas, denunciou ser objetivo do Hamas, com apoio do Irã, consolidar o seu golpe em gaza com o estabelecimento de um obscuro emirado muçulmano. Mas, dominado por uma diplomacia de estatísticas e de resultados fáceis, o Itamaraty segue na contramão da história a servir de inocente útil ao que é de mais crasso: o cínico entreguismo populista, em socorro do interesse de grandes grupos internacionais.
É flagrante o alinhamento do Estafeta da Desgraça, Hugo Chávez, ao Irã nesta conspiração. A corrida armamentista na América Latina é ponta da sua estratégia. A super armada Venezuela, embora de economia arruinada, contando um exército de mais de um milhão de homens, é já grande ameaça à soberania nacional do Brasil, da Colômbia e de todos os outros estados livres do continente.
Por trás desta corrida armamentista e do irresponsável crédito de US$ 2 Bilhões concedidos pela Rússia e a Suécia ao Caudilho Chávez para comprar armas, está, mesmo, o patrocínio da derrocada do Oriente Médio e da venezualização da América Latina unificada. Parte destas armas será repassada, em primeiro momento, aos narcotraficantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Farcs. Em segundo momento ao Hizbolah: já legalmente atuante na Venezuela. Por fim, aos movimentos revolucionários de reforma agrária do Brasil e ao crime organizado dos nossos grandes centros urbanos. Depois, o Irã o recompensará com mísseis atômicos de longo alcance. Daí, adeus liberdade de expressão!