Segundo o médico hematologista Aderson Araújo, do Hemope, o estado apresenta a segunda maior incidência da talassemia no país, atrás apenas de São Paulo. Em Pernambuco, são, atualmente, 42 portadores da talassemia intermediária e 28 pacientes da talassemia maior. Araújo explica a alta prevalência por dois fatores: a forte ascendência portuguesa na região e o costume dos casamentos consanguíneos. "Como a Península Ibérica está no Mediterrâneo, há um pedaço da doença aqui. E também existe a tendência de primos se casarem", observa.
Há ainda outro dado curioso. Cerca de 80% dos pacientes atendidos no Hemope são provenientes do Agreste Setentrional. Muitos dos talassêmicos pernambucanos estão nas cidades de Surubim, Santa Cruz do Capibaribe, Caruaru, Garanhuns e Belo Jardim. A boa notícia é que, apesar do estado ocupar a vaga de vice na prevalência nacional, a maioria dos casos tem gravidade mediana.
Enquanto a beta talassemia maior é presente em 3,5% dos casos no estado, em São Paulo esse índice chega a 50%. São pessoas que precisam de transfusão regular e cuidados maiores. A variação intermediária lidera com 63% do total de registros em Pernambuco. A ressalva é que a forma mediana atrapalha o diagnóstico e complica a qualidade de vida se não tratada a tempo.