Os moradores de Atalaia do Norte (AM), onde vivem os passageiros que estavam no avião da Força Aérea Brasileira (FAB) que pousou no meio da floresta, passaram toda a manhã de ontem sem notícias do acidente. Uma pane elétrica que atingiu toda a cidade entre 5h e 10h no horário local (12h no horário de Brasília) limitou o acesso a televisão e a rádios - principais meios de comunicação na região, uma das mais isoladas do país. O sistema de telefonia também começou a falhar, devido à sobrecarga de telefonemas.
"Quando os telejornais divulgaram a notícia de que haviam encontrado o local do acidente estávamos sem energia. As notícias só começaram a chegar depois que a eletricidade voltou", conta Maria José Bastos, presidente de uma entidade local que terceiriza mão-de-obra para ações da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) na região e faz trabalhos sociais nas aldeias.
Os familiares reclamaram da falta de informações. "O avião decolou às 8h de quinta-feira e sumiu 50 minutos depois, mas eu só fui saber que ele estava desaparecido no fim da tarde", reclama João Paulo Rodrigues, 20 anos, filho de Maria das Graças Rodrigues, 49 anos, uma das sobreviventes. "A família toda estava em pânico. Eu não dormi e passei a noite rezando", lembra. A irmã de Maria, Diva Rodrigues, 50 anos, disse que viveu momentos de angústia. "Viramos a noite sem qualquer notícia. Mas o importante é que ela está viva."
"Foi horrível. Ninguém esperando o telefone tocar. Ainda bem que não houve o pior para minha cunhada", disse Maria Venina Nunes, 56 anos, logo após receber a notícia de que Marina de Almeida, 63 anos, também escapara com vida. Também funcionária da Funasa, Maria Venina lembrou com pesar, no entanto, do amigo João de Abreu Filho, um dos desaparecidos. "É um rapaz muito bom, esforçado e estava concluindo a faculdade. É lamentável."