A cultura popular e o movimento armorial foram a motivação inicial para o Armazém de Criação deste ano. O projeto de formação de novos profissionais de artes cênicas se voltou para a Dança em 2009 e o principal resultado é o espetáculo Terra de caboclo, que encerra temporada de um mês no Teatro Armazém, no Bairro do Recife. A última apresentação será realizada hoje, às 20h, com entrada franca. A essência e a inspiração para a montagem vieram do caboclo de pena dos caboclinhos do Recife ou de Goiana e do maracatu de baque solto. Estas manifestações foram fonte para a pesquisa de campo do Armazém de Criação, como explica o coreógrafo Emerson Dias, o Mercinho. "Fomos fazer a parte prática no município de Condado, conhecendo com os bailarinos o trabalho do Maracatu Leão de Ouro e o Cavalo-Marinho Estrela de Ouro. Isso nos fortaleceu e esmiuçamos estas informações ao máximo quando retornamos para a sala de aula e aos ensaios", conta.
Emerson Dias também lembra que foram importantes as oficinas para o elenco, ministradas pelo professor Fábio Soares, neto de Biu Alexandre, mestre do cavalo-marinho em Condado e por Dinha, que dança a figura do Arreia-Mar, o caboclo de pena do maracatu.
O espetáculo começa com um lado mais ritualístico, com os bailarinos tomando um banho de sal grosso, para pedir proteção. Depois, vão para o mundo, num espaço que pode ser comparado ao do canavial e são desafiados a cada dia. Existe um momento dedicado à festa, pois os caboclos costumam virar a noite nos fins de semana brincando no maracatu ou no cavalo-marinho e, no encerramento, delírios que se confundem com a realidade.
Terra de caboclo tem 30 minutos de duração e traz no elenco nove bailarinos (apenas uma delas desistiu durante o processo, que consistiu em três meses de aulas, com ensaios diários, com três horas, e preparação e mais um mês de apresentações). O Armazém de Criação foi aprovado pelo Funcultura. Eduardo Carvalho, Orunmillá Moura, Dayse Marques, Évelin Melo, Paulo André, Rafael Barros, Evelyn Santos, Iris Campos e Tainã Mota são os intérpretes do espetáculo, que além da coreografia de Mercinho, possui direção de arte de George Cabral. A produção é da Remo Produções/ Teatro Armazém. "Buscamos fazer um trabalho dinâmico, mas sempre respeitando e valorizando a tradição", aponta o coreógrafo.
Festival - Três atrações nos teatros e outra em espaço não-convencional esquentam o 14º Festival Internacional de Dança do Recife nesta quinta-feira. Às 15h, na Praça da Independência, mais conhecida como Pracinha do Diario, o grupo de frevo Guerreiros do Passo faz um tributo ao mestre Nascimento do Passo. Às 17h, no Teatro Barreto Júnior, a Cubos Cia. de Dança, de Aracaju, mostra Reverso. Castanha sua cor, do Grupo Grial de Dança, dirigido por Maria Paula Costa Rego, poderá ser revisto às 19h, no Teatro do Parque. Já Estudo para uma dança, da Nósláemcasa, de São Paulo, investiga o diálogo do movimento sonoro com o dançado, a partir da performance de Patrícia Werneck e Celso Nascimento, às 20h, no Teatro Hermilo Borba Filho. Em redor do buraco tudo é beira, de Marcela Levi, do Rio de Janeiro, foi transferido da noite de terça-feira para ontem, pois ocorreu atraso na montagem do espetáculo.