As mulheres beneficiadas com o programa Chapéu de Palha não querem apenas o diploma dos cursos oferecidos pelo projeto. Elas querem trabalho, salário e condições para ajudar no sustento da família. Ontem, no Centro de Convenções, o governador Eduardo Campos (PSB) recebeu carinho, elogios e declarações de apoio para sua reeleição em 2010. Mas também ouviu muitas reivindicações. Na festa de encerramento do programa, as participantes aproveitaram para dizer ao socialista que estão precisando de ajuda. "Não podemos ficar só com o diploma na gaveta. Queremos uma oportunidade", disse a trabalhadora rural Maria Terezinha de Souza Oliveira, 46 anos, mãe de dois filhos.
O programa Chapéu de Palha foi criado no segundo governo de Miguel Arraes (1987/1991) e reeditado na gestão de Eduardo. A finalidade é de atender o trabalhador rural no período da entressafra da cana. A nova versão, além de pagar uma bolsa de R$ 232,50, também oferece cursos de políticas públicas e qualificação profissional para homens e mulheres.
"Aprendi muito com o projeto, mas não adianta se não tivermos onde trabalhar", observou Maria Terezinha, que reside no município de Rio Formoso. Ela sugeriu ao governo, inclusive, colocar na programação de 2010 cursos para vigilante e de informática. "A gente poderia trabalhar em bancos, escolas, usinas. Teríamos uma chance maior de conseguir um trabalho. Não podemos ficar a vida toda na palha da cana", alertou. Outra reivindicação partiu de Marinalva Alves da Silva. Convidada para falar em nome das mulheres de Rio Formoso, ela não mediu as palavras para denunciar o drama que as trabalhadoras rurais da região e para pedir a interferência do governador.
"Coma crise, a Usina Cucaú não está contratando as mulheres. Então, sem carteira assinada não podemos nos inscrever no Chapéu de Palha. Nós temos que viver e precisamos do serviço no próximo ano. Os cursos chegam até Suape (Ipojuca) e para os outros municípios não chega nada", reclamou. Marinalva foi escalada para falar sobre as experiências do Chapéu de Palha, de 2007 e 2008, mas mudou o rumo do discurso, quando percebeu a chance de repassar para Eduardo os problemas de sua cidade.
Já Cremilda Correia da Silva, representante das mulheres de Maraial, teve o privilégio de compor a mesa com as autoridades. Ela deu ao seu discurso um tom político lembrando, logo no início, que 2010 é ano de campanha eleitoral e acrescentou: "tenho fé em Deus que o senhor será reeleito para continuar com esse trabalho", previu. Cremilda também aumentou a lista de pedidos. "O período de quatro meses é muito pouco para a gente fazer os cursos do Chapéu de Palha. O prazo deveria ser de seis meses". Além da ampliação do tempo, ela pediu que o programa fosse estendido para mulheres que não trabalham na palha da cana.
"O Chapéu de Palha é uma forma da gente se libertar. Eu sou uma das que se libertou. Tirei a barriga da beira do fogão e da pia de lavar pratos. Hoje, estou aqui sentada ao lado do governador Eduardo Campos e de Cristina Buarque (secretária executiva da Mulher)", festejou. O evento contou, ainda, com as presenças da primeira-dama, Renata Campos, da deputada federal Ana Arraes, dos secretários Danilo Cabral (Educação), João Paulo (Articulação Regional) e Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), entre outros convidados.