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Mentores do (seu) lazer
Desenvolvedores de games são mais do que amantes de jogos. Profissão cresceu e o mercado está cada vez mais segmentado, exigindo gente com boa dose de teoria, dedicação e visão multidisciplinar
Juliana Godoy// Especial para o Diario
julianagodoy.pe@diariosassociados.com.br


Suas paixões de infância podem levar à sua profissão no futuro. Não acredita? É só conhecer a história de Edgar Neto, 23 anos. Desde muito pequeno, ele nem lembra quando, era fascinado por jogar. Seja no computador ou no videogame, o importante era tentar decifrar os códigos dos games e modificá-los sempre que possível.

Edgar Neto, 23 anos, começou a se interessar pela área ainda criança, jogando no videogame e no computador. Foto: Alcione Ferreira/DP/ D.A Press
Hoje, Edgar estuda para ser desenvolvedor de jogos. A profissão, que parece até brincadeira, é uma das que mais crescem no estado. Mas só gostar de jogar não forma o profissional. É preciso investir em um curso superior (que varia de acordo com a área escolhida), em outros idiomas e em conhecimentos tecnológicos. Procurar entender as pessoas e seus interesses também é fundamental para a área.

"O desenvolvedor de jogos pode assumir três perfis diferentes. Ele não é uma pessoa específica, é parte de uma equipe multidisciplinar", explica André Neves, coordenador do laboratório de game designer do Centro de Artes eComunicação (CAC) da Universidade Federal de Pernambuco. Esses perfis que formam o grupo para desenvolvimento de jogos são de games designers, artistas e programadores. Cada um deles precisa de uma formação específica e assumirá funções distintas. "O game designer fica responsável pela parte de concepção do jogo. Normalmente, ele é formado em design", afirma André. Já o artista é quem dará a aparência do jogo. "Esse profissional muitas vezes é formado em artes plásticas, design, sempre um curso ligado à arte", diz Neves. E por último, vem o programador, que é quem vai trabalhar na programação do jogo. "É alguém da parte de computação ou de ciências e engenharia".

Edgar mesmo é formado em análise de desenvolvimento de sistemas pelo antigo Cefet-PE. "Meu verdadeiro interesse nos jogos, além de jogar, claro, era mudar suas regras. Aí quando entrei no curso de análise comecei a direcioná-lo para essa parte de desenvolvimento de jogos. Quando tinha trabalhos, eu sempre tentava fazer em forma de jogo", lembra. E para conseguir isso ele precisava não só do gosto por games, mas, principalmente de conhecimentos específicos. "Já na graduação a pessoa deve procurar se especializar. Esse é um mercado no qual o conhecimento de tecnologia e da área em que você vai atuar é fundamental", alerta André. Edgar continua investindo nessa especialização e hoje faz mestrado voltado para jogos digitais. "Tive um certo receio de começar a atuar com entretenimento, mas percebi que os jogos vieram para ajudar as pessoas. De uma maneira ou de outra, você pode influenciar a vida delas positivamente através desses games", acredita Neto que junto com sua equipe ganhou a Imagine Cup 2009 em desenvolvimento de games.

Mas influenciar essas pessoas pode não ser tão fácil quanto parece. Além de saber ao certo como fazer seu trabalho, o desenvolvedor de jogos deve também entender bastante do seu público-alvo e consumidor final. "É preciso estar atento ao mercado, ver os outros jogos que podem servir de base para o seu e saber quais são os gostos das pessoas. O que elas procuram nos jogos. Assim é que se consegue sucesso do produto". "Também é muito importante saber outra língua nesse mercado. O inglês mesmo é requisito básico, porque muito material que usamos é nessa língua e a maioria dos sites de críticas de jogos também", alerta Diego Credidio, diretor de criação da Meantime.

Futuro - Enquanto Edgar Neto já se especializa na área, Igor Henrique Santos, 14 anos e Kimberly Kohl, 15 anos, começam a conhecer o mundo do desenvolvimento de jogos. É que os dois são alunos da Escola Cícero Dias, que integra o programa Núcleo Avançado em Educação, o Nave, que é uma parceria do Oi Futuro, da Secretaria de Educação do Estado e do Cesar. "Temos aulas de programação e design de jogos", explica Igor. Nessas aulas, os cerca de 500 alunos aprendem tudo o que um programador e um design precisa saber para entrar no mercado de trabalho. "É uma área ampla e que está precisando de mais gente. Assim quando terminar o projeto vou ter mais chances de empregabilidade", afirma Kimberly que pretende atuar na parte de programação.


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Edição de segunda-feira, 19 de outubro de 2009 
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