O cantor e compositor Chico César tem uma nova função na arte desde que assumiu a pasta de presidente da Fundação de Cultura de João Pessoa, há quatro meses. A primeira decisão foi proibir a si mesmo de fazer shows na cidade. Fora dela, está liberado.
 Artista vem acompanhado de banda para defender repertório do disco Francisco, forró e frevo. Foto: Arquivo/ON/D.A Press |
Por isso, chega hoje no Recife para mais um Seis e Meia, no Teatro do Parque, com abertura do pernambucano Sérgio Cassiano. O paraibano será acompanhado por sua banda e tocará o repertório do disco mais recente, Francisco, forró e frevo, além de clássicos do seu repertório mais antigo, como Benazir, Pedra de responsa, Alma não tem cor, além de outros forrós que se relacionam ao seu cancioneiro.
Chico, no violão e guitarra, vem com Chico Medeiros (baixo), Guegue Medeiros (bateria), Cila Briganti (percussão) e Ricardo Prado (sanfona e softwares). O cantor conta que havia recebido muitos convites para tocar no Recife, com voz e violão, mas fez questão de só vir quando pudesse trazer o show novo, com a banda. Aqui está ele.
Depois do show volta para João Pessoa. No fim de semana, retoma a carreira e assim segue, quase sem descanso. Aceitar o convite para o cargo de gestor público implicou em mudanças e desafios. Uma delas foi deixar São Paulo provisoriamente, onde mora há 25 anos e estruturou toda a sua carreira. O desafio inicial foi mostrar às pessoas de seu novo convívio que sua convocação não foi "de fachada". O exemplo, segundo ele, foi dado por Gilberto Gil quando, à frente do Ministério da Cultura, deixou claro o papel de responsabilidade do artista sobre a atividade que exerce.
"Eu vejo Renato L (secretário de Cultura do Recife), Fred 04 (assessor de Renato L), eu mesmo. Nós que somos seres autônomos, muito influenciados pela autonomia do movimento punk, o que tentamos fazer é um protagonismo, arejar a relação de cultura com o poder público, a gente não vem para tentar um bem para os artistas, mas para a sociedade", defende. O atual gestor da cultura de João Pessoa conta que já criou um novo meio de conexão com a produção cultural da cidade. Ele tem saído para despechar com os artistas e produtores nos seus próprios bairros. "Acho importante levar pro camarada que mora na periferia a possibilidade de ele chegar mais perto do poder. Eu estou descobrindo muitas coisas: coletivos de hip hop, rádios rock, muita coisa de cultura popular, está sendo uma alegria para mim", diz. Para Chico César o segundo, e não menos importante, desafio está sendo construir com a classe artística uma visão não coorporativa, mas comunitária da cultura.
Chico César coloca que, apesar de admirar a política cultural do Recife, ele quer que os pessoenses descubram sua própria identidade e fortaleçam sua autoestima. Seu discurso é baseado na impressão de que Fortaleza e Recife são as maiores referências da música e cultura nordestina em geral. Chico diz que, quando as pessoas negam em música o "forró de plástico de Fortaleza", elas citam como contraponto a música alternativa de Pernambuco. "Adoro Cordel, mas eu tenho Escurinho. Adoro Silvério, mas eu tenho Cabruêra. O caminho de João Pessoa é buscar a autoestima. Somos a terra de Pedro Américo, Quinteto da Paraíba, Jackson do Pandeiro, Zé Ramalho, Marinês, Orquestra Tabajara. Eu gostaria que a cidade não se visse abaixo disso", pontua Chico César.
Serviço
Chico César e Sérgio Cassiano
Projeto Seis e Meia
Quando: teatro do Parque (Rua do Hospício, Centro)
Quanto: R$ 15 e R$ 7,50
Informações: 3232-1556