Uma passeata diferente atraiu os olhares de quem andava pelas ruas do centro do Recife no final da tarde de ontem. Munidos de faixas de protesto e pequenas bandeiras brancas, cerca de 70 pessoas da Federação das Associações de Idosos de Pernambuco (Faipe) fizeram uma caminhada pela paz cobrando mais atenção das autoridades e da sociedade civil para a violência contra os da terceira idade. Com a ajuda de um carro de som, homens e mulheres acima de 60 anos desfilaram pelas ruas do bairro de Santo Antônio, exigindo direitos previstos no Estatuto do Idoso, que, segundo eles, não é cumprido integralmente. Uma das principais reivindicações é a concessão da gratuidade no acesso aos transportes coletivos a pessoas a partir de 60 anos. No Recife, o benefício é concedido a pessoas acima de 65 anos.
"Outros municípios como Petrolina, Caruaru e Jaboatão dos Guararapes já aprovaram a redução da faixa etária para a gratuidade. Aqui no Recife, já tentamos falar com os vereadores para que proponham uma reforma na lei municipal, mas eles não tomaram providências. Eles só se lembram da gente nas eleições", criticou a presidente da Faipe, Lourdinha Portela. Segundo ela, a caminhada teve como meta sensibilizar os poderes legislativos municipal e estadual perante a situação dos idosos no estado. "Queremos que a Câmara Municipal e Assembleia Legislativa nos recebam", afirmou.
A caminhada partiu da Praça Maciel Pinheiro e seguiu pelas ruas da Imperatriz e Nova, passando pela ponte da Boa Vista, até chegar à Pracinha do Diario, onde os participantes fizeram uma roda e rezaram a oração de São Francisco. Durante o trajeto, exibiram cartazes e relataram as situações de violência por que passam todos os dias. "Nos hospitais, nos bancos, nas casas de saúde, que prioridade os idosos recebem?", questionou Lourdinha, ao microfone. "A única atenção que a gente ganha é na fila do crédito consignado", ironizou.
Os idosos também exigiram moradia digna, carinho e atenção de familiares e assistência jurídica especial. Eles acham necessária a criaçãode varas especializadas e exclusivas para a terceira idade nos tribunais para agilizar a resolução dos processos. Alegam que a existência de uma promotoria do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e uma delegacia do idoso não é suficiente. "O idoso é uma pessoa muito frágil. É fácil de ser ludibriado. Estamos aqui clamando por respeito e dignidade para com as pessoas em geral, em especial as pessoas idosas", declarou a presidente. Fundada há dez anos, a Faipe é uma ONG, sem fins lucrativos. Informações (81) 3424-5508.