A última vez em que a professora, coreógrafa e bailarina Mônica Japiassú, 68 anos, pisou num palco para dançar profissionalmente foi há quase 30 anos. O ano era 1980 e o espetáculo, Morte e vida severina, da obra de João Cabral de Melo Neto, que ela adaptou - em parceria com o dramaturgo Rubem Rocha Filho. Mônica é paulista e Rubem, que faleceu em maio do ano passado, era carioca. Juntos, e com a ajuda luxuosa de outros profissionais, como o tcheco Zdenek Hampl, eles fundaram a Associação de Dança do Recife e fizeram espetáculos memoráveis na cidade, que uniam as linguagens da dança e do teatro, como Anjo azul, O capataz de Salema, Verde que te quero verde, Tempos perdidos, nossos tempos, Senhora dos Afogados e o infantil A flauta mágica.
 Foto: Ines Campelo/DP/D.A Press |
A saudade da ribalta parece ter falado mais alto e, na próxima terça-feira, dia 22 de setembro, Mônica Japiassú volta a dançar no espetáculo Pilates no teatro, que ganhará uma única apresentação no Teatro Barreto Júnior, no Pina, às 20h. Será uma coreografia de pouco mais de quatro minutos de duração, na qual ela homenageia a maternidade (estará em cena ao lado da filha Adriana Japiassú), suas alunas (ela começou a dar aulas no Recife em 1972) e a relação entre percepção e emoção para os movimentos. Antes, para abrir a noite, dirá algumas palavras sobre a conxeão entre emoção, sentimento e percepção.
Pioneira em trazer ao Recife a dança moderna, o ensino da dança criativa para crianças e o Pilates (este último em 2004, atividade à qual se dedica até hoje, no Espaço Corpo Pilates, em Boa Viagem, que divide com a filha, Adriana), Mônica ainda guarda esperança no futuro da humanidade, apesar de ficar pessimista quando lembra que as pessoas preferem a malhação desenfreada nas academias de ginástica do que uma atividade que equilibre o corpo e a mente, restaurando a saúde através da respiração e da reeducação postural.
"Adoro escrever e pretendo fazer um livro, em que alie minha experiência de vida com a filosofia de corpo em que acredito", revelou ela, que nasceu na família Pacheco Chaves e passou a ser Japiassú, que quer dizer "asa grande" com o casamento. Depois de uma aula num dia de semana, entre um cigarro e um pedaço de chocolate que ganhara de um aluno recém-chegado da Europa, ela - que também é mãe de mais dois filhos, o professor de literatura Carlos Eduardo e a também bailarina Juliana - concedeu a seguinte entrevista ao Diario.