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Entrevista // Diva (ainda) para poucos
Andreia Luiza não está nas rádios ou nos programas de TV, mas conquistou uma legião de fãs nos bares e boates do Recife
Phelipe Rodrigues

Durante 14 anos, ela foi secretária em escritório de advocacia. Cuidava das finanças, digitava petições e, nas

Foto: Juliana Leitão/DP/D.A Press
horas vagas, fazia a segunda coisa que mais adora na vida: passava horas ao telefone. Até que um dia, Andreia Luiza tomou coragem para colocar em prática sua maior paixão, que é cantar. Hoje ela é uma espécie de diva queer local. Seu séquito (enorme) de fãs percorre os bares de frequência GLBT, como o Club Metrópole ou o bar Phantom para cantar junto, gritar gostosa e mandar bilhetinhos apaixonados. A seleção musical é MPB. Ela encarna Ana Carolina, recebe Marina e Elis. Também prepara-se para incluir algumas canções gringas no repertório."Até hoje, não cantei nada em inglês por puro medo de errar a letra", diverte-se

Enquanto ensaia, Andréia fomenta a carreira seguindo os moldes de artistas indie. Ano passado, lançou o CD Demais, em parceria com o produtor e - marido há 20 anos - Denis Raz. Estúdio, encarte e banda, tudo, saiu do bolso dos dois. Ela diz não se arrepender. "Agora consigo viver só damúsica", festeja, lembrando que levava uma vida dupla. Cantava até 3h da madruga e, às 8h, já estava ao telefone. "Advogados associados, bom dia". Um martírio contado com muito humor. O mesmo que ela reserva para o palco, fazendo a fofa quando alguém pede para cantar Raul. E ainda pergunta se há algum aniversariante no recinto para puxar um Parabéns pra você.

Você canta em bares e boates e todo mundo para e escuta. É algo raro para os artistas da noite. Existe algum segredo?

Interagir com a plateia é o primeiro deles. Faço questão de saber se existe algum aniversariante do dia, não deixo de cantar o que as pessoas pedem e fico lisonjeada com o assédio dos fãs. Há quem chame isso de carisma. Um cantor, hoje, só consegue sobreviver quando aprende a conversar bem com seu público. Mas conduzir uma noite inteira de show é um aprendizado longo. Passei muita vergonha até ganhar jogo de cintura para prender a atenção das pessoas.

Você se tornou diva para o público gay. Faz shows em todas as casas nesse segmento.

A história começou no Tia Dulce, um extinto bar em Olinda. Percebi que muitas garotas estavam no gargarejo, mandando bilhetes, flores e presentes. Achei divertido. Talvez, o repertório com Ana Carolina e outros ícones gays tenha sido o responsável. Adoro meu público. Mas, como artista, não posso ficar presa. Quero ganhar visibilidade em muitos lugares. Faço a abertura de shows de outros artistas, temporadas em hotéis como o Summerville.

Existe algum momento que fez toda a diferença na carreira?

A abertura do show de Orlando Morais, em 2006, no teatro da UFPE, me abriu portas. A partir dali, gente que não me conhecia passou a acompanhar minhas apresentações. Este ano, també fiquei feliz com o convite de Renata Arruda para mostrar meu trabalho quando sua turnê passou pelo Recife. Um sonho antigo é cantar com a irmã do meu marido, Denis, na Itália. Em Milão, onde mora, é uma artista conhecida e faz temporadas em toda a Europa.

Quais os planos para o futuro?

Sou bairrista. Gostaria de conseguir espaço nos pólos alternativos do carnaval do Recife. O Festival de Garanhuns é outro espaço que tento ocupar. Enquanto isso, estou com a agenda cheia de apresentações em João Pessoa, Arcoverde, Caruaru e Goiana. Antes de viajar para a Itália, para conhecer o público de lá, quero testar todas as possibilidades na minha casa.


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Edição de domingo, 30 de agosto de 2009 
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