Diferentemente de Serra que na última vinda a Pernambuco tratou de, pelo menos oficialmente, minimizar o caráter político da visita, Aécio Neves fez questão de cumprir agenda de presidenciável no estado. Sem o esquema de segurança adotado pelo colega paulista, mostrou-se estar à vontade. De camisa de algodão e calça jeans, garantiu um clima descontraído a todos os eventos.
No final da manhã, após conceder entrevistas, almoçou com parlamentares de oposição. Reuniu gente do PSDB, PPS, DEM e PMDB, que em Pernambuco faz oposição a Lula. No almoço, abriu uma brecha para bater papo com o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ). Depois, em Jaboatão dos Guararapes, falou para 26 prefeitos, lideranças e militantes de partidos de oposição. Já no final da tarde, teve um encontro com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).
Com discurso afiado a respeito da convergência que sua candidatura pode gerar, ponderou, quando questionado sobre o apoio do PMDB. Reconheceu que no Brasil não se pode governar sem o partido dos senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP), mas declarou que é possível fazê-lo com um padrão ético bem mas elevado "do que estamos assitindo ao longo dos últimos anos". "O PMDB tem espaço exagerado no governo e o país não pode viver sob a ditadura de um partido".
Ele informou que além do PMDB, o PSDB deve manter diálogo com partidos da base do governo Lula que não necessariamente acompanharão o projeto do PT em 2010 - o lançamento da candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Ao falar de ética, Aécio Neves também teve de se posicionar a respeito das denúncias que pesam contra a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, e sobre o governador cassado da Paraíba, Cássio Cunha Lima, ambos do PSDB. Sobre a governadora, disse que muitas das acusações (de improbidade administrativa à formação de quadrilha) decorrem da ferrenha polarização existente da política gaúcha. A respeito de Cássio, acredita que houve injustiça. Cássio foi acusado de usar a máquina pública para comprarvotos na eleição de 2006.
Aécio voltou a declarar que é importante para o PSDB mostrar unidade e reforçar que tem um projeto mais qualificado do que o governo atual. Reafirmou a capacidade de gestão de José Serra, mas destacou que o fato de ter menos idade do que o paulista não o intimida ou o leva a pensar em ceder a vez. "Fila existe em ponto de ônibus e é sempre muito desagradável. Em política não existe isso. Existe o respeito mútuo e essa é uma questão decidida. O PSDB estará unido, seja com a minha candidatura ou com a de Serra. A nossa unidade é o instrumento mais vigoroso que temos para vencer as eleições", frisou.