Além da obediência à norma culta da língua, o fera que quiser fazer bonito na redação do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) também deve prestar atenção à postura adotada na hora de escrever seu texto.
 Para exercitar a cidadania e se sair bem na redação, alunos do Colégio Santa Maria realizaram trabalhos voluntários em creches e asilos. Foto: Valdenio Silva/Divulgação |
Em dez edições da prova nacional, esta é a primeira vez em que a banca cobrará, de forma expressa, argumentos politicamente corretos. As opiniões dos candidatos não poderão ir de encontro aos direitos humanos ou ao que determina a Constituição Federal. Portanto, nem pense em defender a pena de morte ou uma revolução armada. O Ministério da Educação (MEC) quer que o estudante do ensino médio reconheça seu papel e sua responsabilidade dentro da sociedade. A cidadania, assunto presente no tópico de linguagens e suas tecnologias (redação), é o tema da 11ª reportagem da série sobre os novos conteúdos do Enem. A prova acontece nos dias 3 e 4 de outubro (a redação será aplicada no segundo dia).
As exigências do Enem deste ano são bem diferentes das adotadas até o ano passado pela Comissão de Vestibular (Covest), então responsável pelas provas da 1ª e 2ª fases das federais do estado (UFPE/UFRPE/Univasf). Antes, o aluno poderia escolher entre o comentário opinativo e a carta formal - bem pouco procurada, diga-se de passagem. No Enem, só haverá a opção de texto dissertativo/argumentativo. Isso significa que o estudante precisará defender seu ponto de vista. "O Enem deixa claro para o fera que, se houver desrespeito aos direitos humanos durante a argumentação, a redação será anulada", comentou o professor de redação do Colégio Santa Maria, Robson Teles. Na escola onde o docente trabalha, os alunos do ensino médio deste ano realizaram trabalhos voluntários em creches e asilos como forma de exercitar a cidadania.
E o tema? - A atenção do fera precisa estar redobrada para os assuntos polêmicos. Um exemplo prático? Se o tema é sobre meio ambiente, o candidato não poderá apresentar argumentos que deixem de levar em conta a preservação da natureza. Se o tema versar sobre guerra, a redação deve apresentar propostas de paz. A boa notícia é que esses assuntos dificilmente são abordados na prova nacional. "Na maioria das edições a banca de redação utilizou temas sociais. Uma aposta para este ano é a comemoração do bicentenário da teoria da revolução, de Charles Darwin. É um assunto que trabalha a interdisciplinaridade entre as matérias de biologia, literatura e religião, dentro do que prega o novo Enem", avaliou o professor de redação do Colégio Equipe, Daniel Bandeira.
O segredo de uma boa redação está na simplicidade. A dica geral, no entanto, é estar atualizado. Como? Lendo jornais, revistas e assistindo a noticiários de TV. O texto do Enem deve ter, no mínimo, sete linhas. E, no máximo, 30. "O aluno deve reservar uma hora e quinze minutos para a redação. Uma hora para confeccionar o texto e quinze minutos para passá-lo a limpo na folha oficial. O melhor é que o fera faça a redação logo no início, quando ele está de cabeça fresca. Mas cada caso é um caso. Se o estudante for mais vagaroso, o ideal é deixar a redação para o final, para que ele não perca tempo e deixe de responder as questões objetivas", aconselhou a professora da equipe de português do Colégio Santa Maria, Ana Cristina Aceto.