Em 1997, José Honório e Américo Gomes escreveram uma obra de cordel juntos. Mesmo assim, os poetas não se conhecem pessoalmente.
 Maria Alice viu o surgimento dos improvisos mediados pelo computador. Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press |
A peleja virtual entre José Honório (PE) e Américo Gomes (PB) foi escrita durante 15 dias, durante uma troca de correspondências eletrônicas. Esta "lira high-tech" é a primeira peleja virtual de que se tem notícia. Hoje, durante o lançamento do livro No visgo do improviso ou a peleja virtual entre cibercultura e tradição, da jornalista e pesquisadora da cultura popular Maria Alice Amorim, às 19h30, no Teatro Hermilo Borba Filho, os poetas devem finalmente se conhecer.
O livro é fruto de uma dissertação de mestrado em Comunicação e Semiótica na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, em 2007. No âmbito da produção acadêmica, a tese recebeu o título de melhor do ano. Prefaciada por Jomard Muniz de Britto e apresentada pela antropóloga Maria Aparecida Lopes Nogueira, a obra descortina as especificidades de uma poéticaque bebe no improviso, assim como os mestres de maracatu rural, os coquistas, emboladores, cirandeiros, payadores do Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai e a topada mexicana, uma espécie de sambada de maracatu, que Maria Alice descreve no livro. "Violão, dois violinos, viola acompanham o poeta, num tablado uns dois a três metros acima do chão onde o grupo se senta. Frente a frente, diante do público, outro tablado, mais quatro músicos e um poeta. Está pronto o cenário do combate, que durará cerca de doze horas".
Maria Alice acompanhou o surgimento das pelejas virtuais, mediadas pelo computador, desde o início, quando a internet ainda nem era tão popular. "Com a popularização da tecnologia, as pelejas virtuais começaram a ganhar espaço não só através dos e-mails, mas do MSN, Orkut e, mais recentemente, do twitter. "No twitter você trabalha com a limitação do número de caracteres, mas é uma plataforma que está sendo muito utilizada", relata o publicitário e cordelista Mauro Machado.
Os defensores do folhetode cordel tradicional não precisam se preocupar com a tecnologia. Mesmo que os cordelistas usem a internet como ferramenta, eles fazem questão de publicar os livretos. "A internet não inviabiliza que os cordéis sejam publicados. Pelo contrário, hoje o custo da publicação é muito menor", diz a autora do livro. Sobre a superioridade do cordel tradicional ou dos "improvisos reais" em relação aos virtuais, Maria Alice defende que são apenas experiências diferentes, que enriquecem os poetas, para deleite do público.
Hoje à noite, durante o lançamento do livro (que vem com um DVD encartado de bônus, um documentário feito por Maria Alice com os cordelistas), poetas da União dos Cordelistas de Pernambuco (Unicordel) vão realizar recitais e até pelejas virtuais.
Serviço
No visgo do improviso ou a peleja virtual entre cibercultura e tradição (Editora EDUC): R$30