Brasília - A oposição fez, ontem, mais dois movimentos para pressionar o presidente José Sarney (PMDB-AP) a deixar o comando do Senado. O líder da bancada tucana, senador Arthur Virgílio (AM), fez a quarta denúncia contra Sarney junto ao Conselho de Ética. Já os senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Cristovam Buarque (PDT-DF) solicitaram ao presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), que antecipe a reunião marcada para o dia 4, que examinará as denúncias e a representação (Psol) impetradas contra Sarney.
Na denúncia, Virgílio pede a instauração de processo disciplinar, dando o prazo de cinco dias para que Sarney e o ex-diretor do Senado Agaciel Maia sejam ouvidos sobre o teor das escutas feitas legalmente pela Polícia Federal e que revelam as negociações para empregar um namorado da neta do presidente do Senado. Cristovam e Simon também anunciaram que vão reiterar os apelos feitos em plenário para convencer o presidente do Senado a renunciar. "Se não fizermos nada, não sei até quando vamos aguentar apressão da opinião pública, não contra Sarney, não mais contra um ou outro senador, mas contra todos os senadores e contra a própria instituição", disse Cristovam.
O presidente do Conselho de Ética do Senado, no entanto, disse que, apesar dos apelos de Simon e Buarque, não vai convocar reunião de emergência entre os conselheiros durante o recesso parlamentar. "As pessoas estão em seus estados, alguns senadores estão fora do país. Não tenho como convocar 15 pessoas para se reunirem durante o recesso. Nem todos vêm, nem todos podem vir. Além disso, não há previsão regimental para fazer isso", justificou o senador, que passa o recesso no Rio de Janeiro.
Protesto - O jornal britânico The Guardian destacou em seu site a "revolução de bigode", protesto contra o "mais novo escândalo político brasileiro". O artigo cita blog criado por publicitários -"Greve de Bigode" -, que convida os internautas a tirar fotos com a "ferramenta de protesto", natural ou falsa, e enviar ao endereço, "até Sarney cair".