Num ano de tantas mudanças, em que o vestibular tradicional será substituído de forma total ou parcial pelo novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a disciplina de física acabou seguindo na contramão.
 Fera de engenharia, Maurício Maranhão tem o hábito de ler manuais de computador, TV, geladeira e celular. Foto: Júlio Jacobina/DP/D. A Press |
Para os feras, felizmente, pouco mudou na área. Melhor: muitos assuntos foram suprimidos do conteúdo. E as temidas fórmulas, 426 aprendidas durante todo o ensino médio, não serão cobradas à risca, como acontecia no vestibular tradicional da Covest. O Ministério da Educação (MEC), responsável pela elaboração do teste nacional, dará maior ênfase à compreensão das teorias físicas. Quer uma dica? Comece a ler manuais. De tudo. Televisão, geladeira, computador. Através dos livretos é possível compreender melhor o consumo e a geração de energia, tema dado como certo no teste nacional deste ano. A física aplicada ao dia a dia é o assunto da 8ª reportagem da série sobre os novos conteúdos do Enem.
A primeira lição, segundo os professores, é compreendera física como parte das ciências da natureza, que também envolve os conteúdos de química e biologia. E vislumbrar o conceito interdisciplinar que será cobrado no exame nacional. Assim como nos testes das outras áreas de conhecimento, as questões de física virão recheadas de gráficos e tabelas. O típico aluno de exatas vai ter que se acostumar a ler os longos textos que devem cair no Enem. A leitura, aliás, deve ser privilegiada na hora dos estudos.
"Além dos livros e apostilas, uma dica que dou aos meus alunos é a leitura de manuais de eletrodomésticos e a análise da conta de luz. Dessa forma eles começam a entender a lógica do consumo de energia, a potência dos equipamentos e passam a enxergar a física como parte do dia a dia, como quer o Enem", explicou o professor de física do BJ Colégio e Curso, Luciano Albuquerque. O fera de engenharia Maurício Maranhão, de 18 anos, incorporou o hábito. "Antes já lia manual de computador, de TV, de geladeira, de celular, só por curiosidade. Mas agora passei a prestar mais atenção", admitiu. Apesar de ser da área de exatas, ele acredita que o fim da cobrança das fórmulas ao pé-da-letra é uma vantagem para os alunos no Enem deste ano. "Agora teremos que usar a lógica, o que torna tudo mais fácil", apostou.
Muitos professores acreditam que as fórmulas para a resolução dos problemas que cairão no teste nacional devem ser fornecidas na própria prova, logo abaixo do enunciado. Além da geração de energia, os outros assuntos que podem cair na prova são: aquecimento global e efeito estufa (calorimetria), tópicos de física mecânica (Leis de Newton), novas tecnologias (transmissão de informações pelo computador, ângulo limite e refração) e queda de raios (física elétrica, pressão e diferenças de potencial). "Digo aos estudantes que o mais importante é ter paciência. Às vezes, mesmo nas questões de física, a resposta está no próprio enunciado. Basta prestar atenção", alertou Albuquerque.