O Metrô do Recife (Metrorec) e a Linha Sul Diesel voltam à normalidade a partir das 6h de hoje, quando não será mais oferecida a estrutura alternativa com ônibus propiciada pelo Consórcio Grande Recife, que entrava em funcionamento às 8h30 desde o começo da greve, às 22h do dia 22 do mês passado. A volta dos sistemas de trens diesel e elétricos foi viabilizada pela proposta de reajuste de 8,47% feita pelo ministro corregedor-geral no exercício da presidência do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Carlos Alberto Reis de Paula. Em assembléia no pátio externo da Estação Recife do Metrorec, a maioria dos cerca de 350 metroviários deliberaram pelo fim da greve às 20h de ontem, com dez votos contrários. A categoria reivindicava um reajuste de 12,5% enquanto a empresa oferecia apenas 4%.
"Entendemos que, como o ministro propôs 8,47%, mesmo que a empresa não chegue a um acordo na próxima reunião, seria essa a tendência do resultado do julgamento do TST", salientou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários e Conexos do Estado de Pernambuco (Sindmetro-PE), José Innocêncio. "Com isso, a situação volta ao normal a partir das 4h50", acrescentou. Coordenador de operações da Superintendência de Trens Urbanos do Recife da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU-Metrorec), André Melibeu disse que a empresa não tem autonomia para definir o reajuste, mas que vai fazer gestões para elevar o indicativo geral de 4% de reajuste junto ao Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais (Dest) do Ministério do Planejamento. "Seria ótimo que se chegasse a um acordo, mas se isso não ocorrer, haverá o julgamento do dissídio".
O coordenador da CBTU-Metrorec diz que a retomada não será imediata, mas ocorrerá até as 6h30 para a Linha Centro, que atende a mais de 80% da demanda do Metrorec, e até as 7h para a Linha Diesel, alcançando todos os 220 mil usuários/dia, sendo a maior parte nas 28 estações do sistema elétrico e o restante nas sete do sistema diesel. Mas acredita que não haveráproblemas. "Muitos só perceberão que tudo voltou ao normal quando observarem que as estações estiverem abertas", disse André Melibeu. Segundo o Sindmetro, o indicativo do TST é de que metade dos dias parados sejam abonados e metade, compensados, e a manutenção de todas as conquistas anteriores.